Victor Hugo Valdivia/Reuters
Victor Hugo Valdivia/Reuters

Ataque com granadas e tiros mata pelo menos 50 em cassino no México

Bandidos invadiram e atearam fogo no estabelecimento repleto de pessoas na cidade de Monterrey

26 de agosto de 2011 | 00h51

MÉXICO - Bandidos supostamente ligados ao crime organizado incendiaram um cassino na cidade de Monterrey - capital do estado mexicano de Nuevo León -, provocando a morte de pelo menos 53 pessoas, a maioria delas asfixiada pela fumaça.

Por volta das 15h50 locais (17h50 de Brasília), seis homens que saíram de dois veículos invadiram o Casino Royale, de dois andares, e, segundo versões de testemunhas, deram tiros e jogaram granadas, mas fontes oficiais indicam que os agressores não realizaram disparos e que o propósito do ataque era incendiar o local.

Os bandidos atearam fogo no cassino com um líquido inflamável, aparentemente gasolina, o que provocou um incêndio, disse o governador do estado de Nuevo León, Rodrigo Medina.

Ele informou que, ao término da noite de quinta-feira, 25, o balanço de vítimas já registrava 53 mortos, mas advertiu que o número poderia aumentar porque as equipes de resgate continuariam trabalhando.

O governador destacou que ainda poderia haver no local entre 15 e 20 outros corpos e acrescentou que as autoridades vão investigar por que as pessoas não conseguiram escapar pelas saídas de emergência.

O número de vítimas foi crescendo conforme avançava a tarde. Várias pessoas passaram a noite buscando informações sobre seus parentes no cassino. Ainda não há um número oficial de feridos, mas fontes extraoficiais indicam que são dez.

O governo federal qualificou este ataque como um ato de terror e de barbárie e garantiu que encontrará e castigará os responsáveis pelo incidente.

O secretário de governo (Interior), Francisco Blake, pretendia se deslocar ao cenário da tragédia, onde já se encontra o Exército. Nesta sexta-feira, 26, o presidente mexicano, Felipe Calderón, terá uma reunião de emergência com seu Gabinete de Segurança para tomar medidas sobre este caso.

Com base em testemunhos, jornalistas disseram que havia mais de 100 pessoas no local, das quais muitas conseguiram escapar, outras correram para se esconder em banheiros e algumas tentaram fugir pelas saídas de emergência, mas aparentemente estavam bloqueadas.

Jorge Camacho Rincón, diretor de Defesa Civil do estado de Nuevo León, explicou à emissora Milenio Televisión que, quando começaram os tiros, as pessoas correram aos banheiros para se proteger, mas não sabiam que os bandidos ateariam fogo no local. Isso fez com que muitos morressem asfixiados pela fumaça.

Uma mulher contou à emissora que estava no local junto com seu marido, Eduardo Martínez, e que, ao ouvir os estrondos, ela e muitas pessoas conseguiram escapar, mas não seu marido.

Ela relatou que, quando ficou a salvo, conseguiu falar com Eduardo pelo celular, que disse sentir falta de ar. Até a noite de quinta-feira, a mulher não sabia o que havia acontecido com o marido e já o havia procurado por vários hospitais, sem encontrá-lo.

O governador Medina assinalou que, embora ainda falte confirmar as informações preliminares dos peritos, os agressores provavelmente jogaram líquido inflamável no cassino para impedir que as pessoas dentro fossem auxiliadas pelas equipes de emergência.

Por causa do enorme incêndio - nesse estabelecimento de dois andares -, os bombeiros e socorristas tiveram de romper as paredes com uma máquina retroescavadeira para resgatar sobreviventes e corpos.

Menos de 24 horas antes do incidente em Monterrey, outro cassino tinha sido atacado com uma granada na cidade de Saltillo, no estado mexicano de Coahuila.

O cassino atacado na quinta-feira é propriedade do Grupo Royale, que possui estabelecimentos nas cidades de Monterrey, Mazatlán, Los Cabos e Escobedo.

Inaugurado há três anos e meio, o cassino incendiado possui dois andares: no primeiro, há um bingo com capacidade para 250 pessoas, máquinas caça-níqueis, roletas e apostas esportivas; no segundo, ficam as mesas de pôquer.

O presidente Calderón expressou com profunda consternação sua solidariedade com Nuevo León e com as vítimas deste terrível ato de terror e de barbárie.

"Esses repudiáveis atos obrigam a todos nós a perseverar na luta contra esses grupos de criminosos sem escrúpulos. Todo o apoio a NL (Nuevo León)", acrescentou o líder, em mensagem enviada pelo microblog Twitter.

Texto atualizado às 04h45

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.