Ataque das FARC a radar na Colômbia atrasa voos

Um ataque dos rebeldes colombianos das FARC contra uma instalação de radar na província de Cauca atrasou os voos no sul da nação andina e alguns que seguiam para os vizinhos Equador e Panamá, informou a autoridade de aviação civil no sábado.

REUTERS

22 de janeiro de 2012 | 11h34

Os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia lançaram mísseis caseiros e cilindros de gás na instalação, matando um policial que guardava o radar, disseram as autoridades.

O ataque destaca a capacidade das FARC, como é conhecido o grupo financiado pelas drogas, de danificar a infraestrutura econômica e de prejudicar a população civil do país, mesmo depois de uma década de ofensiva financiada pelos Estados Unidos, que enfraqueceu o grupo e matou vários de seus líderes.

O radar, cujo alcance é de 300 km, fornece cobertura não apenas para a aviação civil, mas para a luta contra o narcotráfico no país.

O reparo no radar levará vários meses, disse Santiago Castro, diretor da autoridade de aviação civil.

"A solução para evitar problemas à segurança dos voos é espaçá-los," disse Castro a jornalistas. "Não sabemos se haverá reduções nos voos, mas haverá atrasos."

As FARC são consideradas uma organização terrorista pelos Estados Unidos e pela Europa. A ofensiva militar golpeou duramente as FARC nos últimos anos, e reduziu a produção de cocaína em um dos maiores produtores mundiais da droga.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, conseguiu a aprovação de uma série de reformas para corrigir os erros econômicos estruturais que induzem o apoio às FARC, devolvendo a terra roubada por paramilitares de direita e por rebeldes a lavradores desalojados.

"Quando um grupo como as FARC ataca instalações que causam problemas para a população civil, essa é uma demonstração de sua fraqueza e desespero porque está afetando a população civil que alega ser sua base de apoio", disse Santos no sábado.

Melhorias na segurança atraíram um recorde de investimento estrangeiro à economia colombiana, principalmente para as indústrias de mineração e petróleo. Mesmo assim, os ganhos na segurança mascaram questões profundamente enraizadas como a distribuição desigual de terra, a miséria rural, as gangues criminosas crescentes e as fracas instituições.

Tanto os guerrilheiros das FARC quanto o governo pediram paz, mas Santos diz que os rebeldes marxistas devem primeiro provar que querem a paz e libertar todos os reféns e suspender os ataques. As FARC se recusam a entregar as armas.

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