Ataques mútuos marcam fim da campanha eleitoral na Colômbia

Mockus e Santos chamaram eleitores para as urnas; analista teme alto nível de abstenção

Reuters

14 de junho de 2010 | 11h09

BOGOTÁ - Os dois candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial colombiana encerraram no domingo suas campanhas com ataques pessoais e com um apelo contra a abstenção, a uma semana da votação que irá definir o sucessor do presidente Álvaro Uribe.

 

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As pesquisas mostram que o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, que venceu o primeiro turno por ampla margem, está ampliando sua vantagem sobre o ex-prefeito de Bogotá Antanas Mockus, do Partido Verde.

Analistas dizem que um resultado tão previsível - contrariando prognósticos iniciais de um pleito apertado - esfria o ânimo do eleitor. "Quando as eleições são acirradas, isso incentiva as votações; quando são tão abertas e ninguém questiona quem será o ganhador, há um duplo desestímulo", disse o analista Rafael Nieto, que teme uma abstenção superior a 50%.

Depois de percorrerem as maiores cidades atrás de votos, Santos e Mockus encerraram suas campanhas nas ruas dentro do prazo previsto pela lei. Segundo as pesquisas, Santos tem o dobro das intenções de voto do rival.

O ex-ministro tem apoio dos partidos Conservador e Mudança Radical, e de muitos militantes do Partido Liberal. Ele criticou Mockus por acusá-lo de clientelismo.

"(Mockus) se acha dono da moral de todos os colombianos, pois não, senhor, aqui a maioria dos colombianos somos gente honrada e trabalhadora", disse o candidato governista, sob aplausos, num comício em Medellín.

Membro de uma família aristocrática, Santos, 58 anos, está há décadas ligado à política local, mas nunca venceu uma eleição. Ele promete manter as principais políticas de Uribe - linha-dura em questões de segurança, e abertura a investimentos estrangeiros - mas diz que também dará ênfase a questões sociais e ao combate à corrupção.

Mas ele próprio foi citado nos últimos anos em escândalos de corrupção, espionagem e abusos aos direitos humanos - algo que Mockus tenta aproveitar em sua campanha.

O ex-prefeito encerrou sua campanha em Bogotá, visitando casas de eleitores. "Estamos tocando, vamos de porta em porta abrindo corações, abrindo caminhos para a proposta do Partido Verde," declarou.

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