Atentado mata brasileira casada com político paraguaio

Um atentado contra um dirigenteoposicionista, a morte da esposa dele, uma brasileira, ealgumas tumultos entre partidários de diferentes grupos duranteum comício no Paraguai elevaram na quarta-feira a preocupaçãocom a violência política, a 11 dias das eleições gerais. O dirigente esquerdista Alfredo Avalos ficou gravementeferido após receber vários tiros na noite de terça-feira emfrente à sua casa, segundo a policia e líderes do seu partido,o Tekojoja. A esposa dele morreu no atentado, ocorrido na localidade deCuruguaty, 300 quilômetros a leste de Assunção, apontada pelasautoridades como zona de produção de maconha. O Tekojoja apoia a candidatura do ex-bispo Fernando Lugo,favorito nas pesquisas para a eleição presidencial de 20 deabril. Não há segundo turno no Paraguai --vence quem tivermaioria simples. Avalos levou três tiros --na cabeça, no tórax e em umbraço-- e está em estado grave num hospital de Assunção,segundo um dirigente partidário. De acordo com testemunhas, o casal estava em frente de casaquando dois homens numa moto abriram fogo sem dizer nada. O presidente do Tekojoja, Aníbal Carrillo, disse à imprensalocal que Avalos e sua esposa "foram vítimas da máfia" quedenunciavam numa rádio local. Ele não descartou que hajamotivação política. Em nota, a coalizão pró-Lugo disse que o crime "se inscreveclaramente na campanha de medo que realizam os que temem perdero poder". A vitória de Lugo representaria o fim de mais de 60 anos dedomínio do Partido Colorado no Paraguai. BRIGA Horas depois do atentado, seguidores do governo e daoposição protagonizaram rápidas escaramuças na cidade de Itá,35 quilômetros ao sul da capital, pouco antes da chegada dopresidente Nicanor Duarte Frutos, que participaria de umcomício. "Há quem jogue pela destruição do sentido da convivênciapacífica que precisamos consolidar. Podemos ter diferenças, masé preciso chegar à violência", disse o presidente em seudiscurso. O presidente do Congresso, Miguel Saguier, manifestoupreocupação com os fatos. "Insto a cidadania a manter a calma ea serenidade", disse Saguier, do Partido Liberal, que tambémapóia Lugo. Outro dirigente do Tekojoja, de 32 anos, foi morto no fimde fevereiro. O partido disse se tratar de um homicídiopolítico, mas a polícia apontou crime passional.

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