David Mercado/REUTERS
David Mercado/REUTERS

Ativistas argentinos denunciam violações e agressões a crianças na Bolívia

Relatório afirmou ter uma "ausência total" do Estado ao fornecer informações aos familiares

Redação, O Estado de São Paulo

30 de novembro de 2019 | 12h13

Buenos Aires - A Delegação Argentina de Solidariedade com o povo boliviano emitiu seu primeiro relatório sobre a Bolívia, no qual denunciou violações e agressões sexuais a crianças no contexto da atual crise, de acordo com fontes. 

O grupo, que desembarcou ontem na capital La Paz, realizou reuniões com vítimas diretas e parentes daqueles que sofreram as “violações de direitos humanos no país” e, posteriormente, fez seu primeiro comunicado na qual criticou a repressão das Forças Armadas e da Segurança do Estado, atualmente com a presidência de Jeanine Añez.

“Existe responsabilidade direta do Estado pelas mortes, ferimentos, detenções ilegais e outros abusos ocorridos em Senkata, El Alto, como resultado da ação repressiva das Forças Armadas e de Segurança e da subsequente impunidade e ocultação de outras autoridades judiciais, policiais e administrativos”, afirmou a comitiva. 

Violações, agressões e torturas 

A delegação argentina apontou "numerosos casos de estupro e agressão sexual a meninas, meninos e adolescentes" e disse que das crianças detidas ilegalmente, três têm "habilidades especiais".

Segundo o relatório, dada essa situação, há uma "ausência total" do Estado ao fornecer informações aos familiares. Não há investigação judicial de qualquer tipo e, em muitos casos, o atendimento médico de emergência foi negado aos cidadãos por suas ideologias políticas.

A chegada da Delegação Argentina de Solidariedade com o povo boliviano ao país foi marcada por controvérsias, com um sério aviso do governo interino para que eles "andem com cuidado" e com recriminações de várias pessoas que os receberam no aeroporto.

O ativista e líder social Juan Grabois, membro da delegação, solicitou que o governo argentino interceda perante as autoridades bolivianas para proteger sua segurança, antes do que descreveu como uma situação de "ditadura" na Bolívia, pelo número de "assassinados, mutilados e desaparecidos".

 

Crise na Bolívia

O conflito desencadeado na Bolívia desde as últimas eleições de 20 de outubro matou 34 pessoas em atos violentos e outras 832 ficaram feridas, segundo dados da Ouvidoria.

Entidades como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos enviaram delegações à Bolívia para estudar a situação no país, após relatos de mortes de civis por tiros em operações policiais e militares, enquanto o governo interino de Jeanine Áñez nega que os autores sejam as forças de ordem.Os protestos começaram no dia seguinte às eleições, entre denúncias de fraude a favor de Evo Morales, que mais tarde foi declarado vencedor pelo quarto mandato consecutivo.

Em 10 de novembro, a Organização dos Estados Americanos alertou para "graves irregularidades" nas eleições e Morales anunciou sua renúncia, forçada pelas Forças Armadas, a deixar o dia seguinte para o México, onde está isolado.

A renúncia de Morales foi descrita como um "golpe de estado" por vários governos e políticos latino-americanos, incluindo Alberto Fernández, presidente eleito da Argentina.

Após o primeiro dia dos ativistas argentinos na Bolívia, eles afirmaram que "tudo o que foi registrado até agora reflete em profundidade que a ação repressiva e a violência exercida têm, sua base principal, no ódio racista contra os povos e nações indígenas que compõem a Bolívia./EFE

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