Ativistas pedem ato por vítimas de paramilitares colombianos

Organizadores convocam protesto como a realizado contra as Farc na segunda-feira por milhões no mundo todo

Agência Estado e Associated Press,

06 de fevereiro de 2008 | 14h35

Numa tentativa de capitalizar a mobilização da sociedade colombiana contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), ativistas pelos direitos humanos convocaram para 6 de março um ato em homenagem às vítimas dos grupos paramilitares e dos agentes do Estado colombiano, anunciaram os organizadores nesta quarta-feira, 6. "Há muito tempo tentamos fazer com que a sociedade se mobilize contra esses grupos" paramilitares, disse Iván Cepeda, do Movimento Nacional de Vítimas de Crimes de Estado, responsável pela organização do ato. "Mas estamos muito sozinhos e agora, com esse grande entusiasmo de segunda-feira, queremos que a sociedade colombiana faça também um gesto contra outras formas de violência, manifeste seu rechaço a esses grupos", prosseguiu Cepeda em conversa por telefone. No último dia 4, milhões de pessoas participaram de passeatas e outras mobilizações dentro e fora da Colômbia em protesto contra as Farc. A manifestação foi convocada em janeiro por integrantes de uma rede de relacionamentos pela internet que contou com o apoio em massa da mídia colombiana.  Cepeda disse que a convocação para o ato contra os paramilitares marcado para o meio-dia de 6 de março é aberta e as pessoas podem protestar como quiserem, "concentrando-se em praças, passeatas, colocando uma bandeira branca na janela". "Faria muito bem à sociedade colombiana condenar por igual todas as formas de violência", prosseguiu Cepeda, cujo pai e dirigente comunista Manuel Cepeda foi assassinado por combatentes paramilitares em Bogotá em 1994. O ativista observou que ainda não possui uma estimativa de quantos colombianos participariam de sua mobilização, mas afirmou estar em contato tanto com diretores das mesmas emissoras de rádio e televisão que apoiaram os protestos contra as Farc quanto com os jovens que organizaram a mobilização pela internet. Alguns desses jovens, reunidos sob o nome "Um milhão de vozes contra as Farc", informaram que poderiam participar individualmente, mas não organizariam o protesto porque preferem manter o foco nas guerrilhas. "Nós estamos de acordo com o objetivo e vemos que a manifestação (de março) não tem viés partidário", disse por telefone Rosa Cristina Parra, uma das organizadoras da jornada de 4 de fevereiro. "Participaríamos como integrantes da sociedade civil porque estamos certos da necessidade de se reconhecer as vítimas do conflito, mas não atuaríamos como organizadores", acrescentou. Em sua página na internet, o Movimento Nacional de Vítimas de Crimes de Estado, fundado em 2004, explica que o ato convocado para março é uma homenagem "aos desaparecidos, aos desabrigados, aos massacrados e aos executados" pelos paramilitares. O grupo informa que os paramilitares colombianos promoveram mais de 3.500 chacinas entre 1982 e 2005, além de terem desalojado milhares de camponeses, dos quais se apropriaram de cerca de 6 milhões de hectares de terras. O movimento observa ainda que, apesar do desarmamento de milhares de paramilitares nos últimos anos, num processo negociado com o governo do presidente Alvaro Uribe, muitos desses bandos reagruparam-se sob novos nomes e mataram pelo menos oito pessoas somente no primeiro mês deste ano.

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