Atrasa fim da votação; boca-de-urna indica vitória de Cristina

Atraso de uma hora é conseqüência da demora na abertura das eleições; mulher de Kircher deve levar no 1º turno

Marina Guimarães, da Agência Estado,

28 de outubro de 2007 | 19h00

A Justiça eleitoral da Argentina adiou por 60 minutos, até as 19 horas locais (20 horas de Brasília), o encerramento das urnas de votação por causa de problemas e atrasos ocorridos durante a eleição, confirmou a agência oficial de notícias Télam. A agência de notícias independente Notícias de Argentina afirmou que as pesquisas de boca-de-urna indicam a vitória em primeiro turno da candidata à presidência Cristina Kirchner, mulher do atual presidente Nestor Kirchner. A agência acrescentou, no entanto, que não pode divulgar os números da pesquisa por causa do adiamento no encerramento da eleição.       Até as 16 horas (17 horas de Brasília) haviam votado somente entre "35% a 40% dos eleitores" que poderiam votar. Ainda no fim da tarde, as filas em milhares de seções eram enormes e os eleitores estavam irritados com as demoras de mais de uma hora. A votação começou com atraso porque muitas pessoas que foram convocadas para trabalhar nas mesas eleitorais não compareceram, mesmo sob a ameaça de serem presas, como prevê o código eleitoral. Segundo o diretor do Comitê Nacional Eleitoral, Alejandro Tulio, cerca de 700 voluntários compareceram para ocupar as vagas de mesários e a situação se normalizou cerca de duas horas depois de aberta a votação.   Veja também:   Especial: as eleições argentinas  Eleição argentina começa com atrasos e 'estresse' Oposição alerta para riscos de fraudes Argentinos votam para consagrar Kirchners Cristina: 'Não sou Hillary nem Evita' Kirchner seduz interior empobrecido   Os resultados da apuração provisória da eleição argentina estarão disponíveis no site www.resultados2007.gov.ar a partir das 21 horas (22 horas de Brasília), segundo informações do Ministério do Interior. Na Argentina, o voto não é eletrônico, mas por meio de cédulas distribuídas pelos partidos. Por causa desse sistema, os candidatos da oposição Ricardo Lopez Murphy, da coligação Recrear-PRO, e Alberto Rodríguez Saá, da Frente Justiça, União e Liberdade, levantaram muitas suspeitas sobre o risco de fraude.   A segunda colocada nas pesquisas de opinião, Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, reclamou da demora de encontrar a cédula com seu nome na hora de votar. A candidata à deputada federal Patrícia Bullrich, aliada de Carrió, denunciou a falta de cédulas e defendeu uma reforma política no país, com a inclusão do voto eletrônico. Segundo o diretor do Comitê Nacional Eleitoral, a distribuição das cédulas "não é responsabilidade da Justiça Eleitoral, mas sim dos partidos, que devem distribuir essas cédulas".   O sistema argentino é confuso, já que o eleitor, ao entrar na cabine, chamada pelos argentinos de "quarto escuro", se depara com inúmeras cédulas dos vários candidatos de diferentes partidos para votar. No caso da eleição para deputados e senadores, existe o sistema de listas, chamado de "sábana" (lençol, em português), que tem um cabeça de chapa, que acaba puxando votos para os demais candidatos que o seguem.   A desconfiança sobre o sistema eleitoral argentino tem aumentado o debate sobre a implantação do voto eletrônico no país. Também levou três dos principais candidatos à presidência a pedirem que a Argentina implemente o voto eletrônico. "É importante que a Argentina adote o voto eletrônico, como fez o Brasil, o Paraguai e outros países", afirmou Lopez Murphy. Para o candidato Roberto Lavagna, do UNA (Uma Nação Avançada), a Argentina precisa se inspirar no Brasil e adotar o sistema do voto eletrônico.   Ele avalia que o Brasil foi um "modelo de transparência" e de "agilidade" na última eleição, por exemplo, na disputa do segundo turno, no ano passado. Alberto Rodríguez Saá (Frente Justiça, União e Liberdade) também denunciou a falta de cédulas com seu nome e defendeu o voto eletrônico.   (Com AP e Dow Jones)   Texto atualizado às 20h05

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