Aumentar ajuda a desabrigados vira desafio de equipes no Haiti

ONU pretende alimentar 100 mil por dia; 400 mil desabrigados serão retirados de capital devastada por tremor

estadao.com.br,

22 de janeiro de 2010 | 08h54

Haitianos brigam por comida em centro de distribuição de ajuda. Foto: Tomas Bravo/Reuters

PORTO PRÍNCIPE - Com o início da chegada de comida, medicamentos e dinheiro, o governo do Haiti e as equipes de ajuda deixam de buscar sobreviventes começam a gigantesca tarefa de alimentar e abrigar centenas de milhares de sobreviventes do terremoto que ainda vivem na capital tomada por escombros.

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"As equipes de socorristas se concentram cada vez mais na ajuda humanitária", disse a porta-voz do Escritório de coordenação de Assuntos humanitários da ONU (Ocha) , Elisabeth Byrs à agência France Presse. Segundo o último balanço, 121 pessoas foram resgatadas com vida dos escombros.

Até 1,5 milhão de haitianos ficaram desabrigados pelo terremoto do dia 12 de janeiro que atingiu o país caribenho e devastou a capital Porto Príncipe. Ao menos 80 mil corpos já foram sepultados e estima-se que as mortes podem chegar a 200 mil e o número de feridos, a 250 mil. Ao menos 3 milhões de pessoas do país de 9 milhões de habitantes necessitam de ajuda humanitária.

Alimentos

Os sobreviventes precisam de comida e água e de tratamento médico. Assustados com tremores secundários, muitos estão traumatizados demais para dormir debaixo de um teto.

A ONU informou que mais de 300 mil pessoas já receberam ajuda alimentícia no Haiti e a partir da próxima semana pretende alimentar 100 mil por dia. Há distribuição de água em vários pontos da capital haitiana, Porto Príncipe, embora nem sempre de boa qualidade.

Helicópteros da Marinha dos Estados Unidos levaram água para as pessoas que estão morando em um acampamento. Mais de 13 mil militares norte-americanos estão no Haiti e em 20 navios no litoral do país. Eles levam suprimentos de avião, retiram os que estão gravemente feridos e protegem os pontos de distribuição de ajuda.

 

A ONG Oxfam Internacional enviará nesta sexta-feira, 22, para Porto Príncipe 50 toneladas de ajuda humanitária, a quinta carga do tipo que conseguiu levar ao Haiti desde o terremoto do dia 12 último.

A carga com galões de água, louça e tampa para vasos sanitários e ferramentas sairá do Reino Unido e, antes de ir para Porto Príncipe, passará pela República Dominicana.

 

A distribuição de água potável, kits de higiene pessoal e lonas para tendas são algumas das ações em que a organização se centrou no Haiti. A preocupação com vasos sanitários é para evitar o surto de doenças. A Oxfam trabalha em cinco pontos da capital haitiana, situados em Petionville e Carrefour, com o objetivo de levar ajuda a cerca de 80 mil pessoas.

 

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Logística

Quase 150 aviões com ajuda aterrissam a cada dia no aeroporto de Porto Príncipe, mas outros mil esperam sua vez de pousar com sua carga.

"A estrada que vem da República Dominicana continua sendo a melhor opção para a maioria das cargas que chegam", afirma a Ocha.

O porto da capital haitiana já está em operação e pode receber 250 contêineres diariamente, com o objetivo de chegar a 350 contêineres diários na segunda-feira.

Desabrigados

Segundo a Organização Internacional de Migrações, em Porto Príncipe há 447 acampamentos improvisados onde vivem 500 mil pessoas. O governo contratou ônibus para facilitar o transporte de sobreviventes para o norte e o sul do país.

Em Croix-des-Bouquets, a 17 km da capital, o Exército brasileiro começou a construiu um campo de refugiados. Também nesta cidade, o Banco Interamericano de Desenvolvimento vai construir casas para 30 mil pessoas.

Na quinta-feira, o governo disse que 400 mil sobreviventes serão levados para novas vilas que serão construídas fora da cidade.

O ministro do Interior, Paul Antoine Bien-Aime, disse que a primeira leva de 100 mil refugiados irá para vilas de 10 mil tendas cada próximas à cidade de Croix Des Bouquets, no norte do país. A ajuda e a comida começam a chegar a Porto Príncipe, mas muitos ainda sofrem com necessidades básicas 10 dias após o terremoto de magnitude 7, que matou até 200 mil pessoas.

"Precisamos de abrigo... Não temos comida ou água. Quando chove, temos uma série de problemas", disse Iswick Theophin, um estudante.

Outras cidades

As organizações de ajuda começaram a levar assistência para outras cidades haitianas afetadas pelo terremoto.

Segundo as últimas avaliações da Ocha, em Leogane, cidade que ficou com entre 80% e 90% dos edifícios destruídos, morreram entre cinco mil e dez mil pessoas, de uma população de 134 mil.

Em Petit Goave, os danos foram menos graves do que o esperado. A cidade ficou 15% destruída e 1.077 pessoas morreram, de uma população de 254 mil habitantes. Não há estimativas sobre Gressier, Carrefour e Jacmel, todas com índice de destruição de entre 40% e 60%.

Com informações da Reuters e da Efe

 

 

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