Autonomia de Santa Cruz é golpe, diz governo da Bolívia

A longa crise política boliviana seagravou na sexta-feira, quando o governo disse ser vítima de um"golpe de Estado" representado pela proclamação unilateral daindependência do Departamento de Santa Cruz (leste). "[Queremos] dizer aos bolivianos que o golpismo de tipoparlamentar não vai passar, que as autoridades garantiremos ocumprimento da Constituição", disse o vice-presidente ÁlvaroGarcía Linera, que é presidente do Congresso e presidenteinterino do país, devido à viagem de Evo Morales à cúpulaeuro-latino-americana de Lima. Na véspera, entrou em vigor em Santa Cruz um estatuto deautonomia que não tem aval das autoridades nacionais. Em junho,três outros Departamentos bolivianos (de um total de nove)realizam referendos que também podem levar à autonomia. Como resultado da vitória do "sim" no referendo de 4 demaio em Santa Cruz, o titular do governo departamental passa aser chamado de "governador" (em vez de "prefeito"), e oconselho de delegados locais passa a se intitular "assembléialegislativa". "Se em algum momento essas pessoas se auto-designam dessamaneira, tentam exercer seus nomes com faculdade de direitopúblico, nesse instante, nesse segundo essas pessoas estarãolevando adiante um golpe de Estado contra o Congresso Nacionalda República. Portanto se transformarão em golpistas, semdisfarces, e tentarão assassinar a democracia", advertiuGarcía, sem especificar possíveis represálias. O governo qualifica a autonomia cruzenha como "elitista","separatista" e voltada para a proteção dos interesses doslatifundiários. Apesar do alerta, García repetiu o apelo por um diálogonacional que inclua a aprovação de uma nova Constituição, comoquer o governo, e a questão das autonomias regionais. "Está claro que não pode haver uma nova Constituição semque se incorpore de maneira plena, sem mesquinharia, aautonomia departamental, mas também está claro que não podemosavançar na autonomia departamental sem uma nova Constituição",afirmou o presidente interino. Ele confirmou ter convocado as quatro forças políticas doCongresso para buscar uma "reconciliação política", o que,segundo líderes da oposição, poderia incluir o referendorevogatório dos mandatos do presidente e dos nove governadoresregionais, convocado para agosto. (Com reportagem de Eduardo García)

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