Aznar, Fox e Toledo criticam populismo na América Latina

Os ex-governantes também demonstraram apoio aos acordos comerciais dos países da região com os EUA

Efe,

28 de novembro de 2007 | 02h16

Os ex-governantes Vicente Fox (México), Alejandro Toledo (Peru) e José María Aznar (Espanha) apontaram o populismo como um obstáculo para o desenvolvimento democrático, econômico e social na América Latina, e apoiaram os acordos comerciais com os Estados Unidos. Durante um debate sobre o papel do setor privado na competitividade da América Latina, os três se referiram ao fenômeno do populismo como método "errado" para promover o progresso da região. Fox lembrou que a região passou boa parte do século XX nas mãos de ditadores. A América Latina, na sua opinião, conseguiu corrigir o seu caminho. "Mas infelizmente há algumas nuvens no panorama" e "alguns setores" voltam para vender "idéias obsoletas de socialismo do século XXI". Ele citou o caso da Venezuela, ao dizer que "o petróleo é um presente de Deus para alguns países e do diabo para outros, porque cria governos autoritários". Quanto aos acordos comerciais da região com os Estados Unidos, Fox criticou a postura de alguns congressistas americanos, que se opõem aos tratados com a Colômbia e Panamá. Ele pediu "atenção à América Latina, ao multilateralismo" e atacou "a política de intervencionismo e de guerra em outros países". Aznar afirmou em seu discurso que "a autoridade deve ser produto de regras aceitas por todo o mundo e não o contrário". Ele opinou que as expropriações ou nacionalizações de recursos na América Latina causam um "enorme" efeito negativo nos investimentos estrangeiros. Para Aznar, a América Latina tem que ser parte integral "do Ocidente", uma comunidade com valores compartilhados, mercados abertos, comércio global e princípios democráticos. A prosperidade, afirmou, é conseqüência da liberdade, porque o bem-estar requer "liberdade de decisão, de iniciativas, de riscos e da escolha dos cidadãos e não do Estado". Já o ex-presidente peruano Alejandro Toledo alertou que, se a região for incapaz de reduzir a pobreza e integrar aos pobres ao processo produtivo, então corre "o risco de contribuir ainda mais com um terreno já fértil para o surgimento do populismo autoritário e irresponsável". No entanto, Toledo se mostrou otimista sobre o futuro da América Latina, apesar dos "desafios reais". "Temos que construir instituições democráticas fortes, que funcionem para os cidadãos e para os empresários. Isso requer a coragem de fazer o que alguns populismos não fazem: investir no que não traz vantagens políticas a curto prazo. A diferença entre um político e um líder é pensar na próxima geração", concluiu.

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