Bachelet pede paz em aniversário do golpe militar sem Pinochet

Trinta e quatro anos depois, é a primeira vez que a data é comemorada após a morte do general, em 2006

Agências internacionais

11 de setembro de 2007 | 12h46

A presidente do Chile marcou nesta terça-feira o aniversário do sangrento golpe de Estado de 1973 com um chamado para fortalecer a democracia no país. Foi o primeiro aniversário do golpe desde a morte, em dezembro do ano passado, do homem que liderou a quartelada, o general Augusto Pinochet. Michelle Bachelet depositou uma grinalda em um memorial dedicado ao presidente Salvador Allende, o eleito mandatário marxista que foi morto no dia 11 de Setembro de 1973. Há 34 anos, Pinochet derrubava Allende com um ataque ao palácio presidencial de La Moneda, com apoio de tropas militares e aviões da Força Aérea. Pinochet ficou por 17 anos no poder. Em meio a um forte esquema de segurança no entorno de La Moneda, Bachelet depositou flores junto a Carmen Paz Allende e Marcia Tambutti, filha e neta do ex-presidente, no mesmo lugar do palácio onde Allende tirou sua vida, cercado por militares, de acordo com relatos. A presidente disse que Allende morreu "pela dignidade, pela democracia e pela pátria". Existem duas versões para a morte de Allende: uma, que ele preferiu suicidar-se a ser rendido à rebelião militar, quando ainda estava no Palácio de la Moneda, no centro de Santiago. A outra versão é que ele foi assassinado no palácio pelas tropas de assalto de Pinochet. "Vamos pensar em como podemos contribuir para que outros não sofram nunca mais o que tantos tiveram que sofrer," disse Bachelet, ela mesma encarcerada e torturada pela polícia de Pinochet. Ela instou os cidadãos "a trabalharem por um Chile mais democrático, mais humano e mais livre." "A melhor homenagem que podemos fazer a todos aqueles que perderam a vida lutando pela democracia e pela pátria é construir uma sociedade, um país que garanta oportunidades, que lhe dê direitos, oportunidades assim como deveres próprios da democracia a cada um dos nossos compatriotas", disse Bachelet. Um relatório oficial concluiu que 3,197 pessoas foram assassinadas por razões políticas durante a ditadura de Pinochet, que durou de 1973 a 1989. Mais de dez mil pessoas foram presas, torturadas e exiladas.  Já a família de Pinochet escolheu esta terça para se reunir em uma fazenda que pertenceu ao ex-ditador, perto de Santiago, onde suas cinzas foram depositadas em uma nova cripta. O governo autorizou 12 organizações vinculadas a partidos políticos de centro-esquerda e grupos de direitos humanos a fazer manifestação ao lado do palácio presidencial e render uma homenagem a Allende. Entretanto, o governo proibiu uma passeata nos arredores do palácio para evitar que se repetisse o episódio de 2006, quando um manifestante encapuzado lançou uma bomba molotov em uma das janelas da sede do Poder Executivo.

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