Bairro portenho de Puerto Madero resiste à crise global

Apesar da crise global nos setores imobiliário e de crédito, o luxuoso bairro portenho de Puerto Madero continua forte, dez anos depois da abertura das suas primeiras torres de vidro. Prédios de 40 andares continuam em obras, junto com projetos que incluem shoppings e passeios à beira-rio. "A crise não existe em Puerto Madero", disse Guillermo Rivanera, vice-presidente da imobiliária Tizado. "Os compradores chegam aqui com fundos genuínos, sem empréstimos. Na Argentina, só 4 por cento (das transações) envolvem crédito. Não temos o mesmo problema que nos EUA ou na Europa", disse ele. Esse antigo bairro portuário, no coração de Buenos Aires, foi recuperado em grande parte sem empréstimos bancários, conforme a realidade do mercado imobiliário argentino. Muitos investidores locais e estrangeiros compram novos apartamentos à vista ou em poucas parcelas. Os ricos argentinos costumam adquirir imóveis por causa da desconfiança generalizada contra os bancos, onde no passado depósitos foram congelados e transformados compulsoriamente em títulos. Os projetos de Puerto Madero costumam ser vendidos no lançamento, com vultosas entradas, o que significa que nem os investidores nem as construtoras têm interesse em parar. E esta área é ímpar na europeizada Buenos Aires. Puerto Madero fica isolada do resto do centro por um canal que dá acesso ao estuário do rio da Prata, e por isso está livre da fumaça preta dos ônibus, que contamina o resto da capital. Parece mais com Miami do que com Paris, o que para os nativos lembra um universo paralelo, mais bonito. "Andando pelas ruas dá a sensação de estar de férias em outro país, há muitos turistas estrangeiros. E tudo é novíssimo, tudo é limpo", disse Alejandro Ginevra, presidente da incorporadora Gnvgroup e morador dos arredores. A Argentina começou a sentir no final do ano passado os efeitos da crise global. Rinavera e outros admitem que seus telefones pararam de tocar nos últimos dois meses, mas atribuem isso à redução habitual do movimento nesta época do ano. Os preços continuam firmes para os apartamentos de luxo no bairro, com valores compatíveis com os de outros mercados do mundo: entre 2.800 e 5.000 dólares o metro quadrado. Alberto Fernandez Prieto -- cuja empresa ergueu o primeiro prédio de apartamentos em Puerto Madero, em 2000 -- disse que os investidores espanhóis lideraram sua lista de compradores na semana passada. "Suspendemos nossos novos projetos nos EUA, mas estamos a todo gás na Argentina, porque este mercado é muito mais saudável. Nos outros mercados há um enorme excesso de moradias, devido às hipotecas que eram praticamente dadas, enquanto aqui ainda temos uma escassez de imóveis", disse ele. (Reportagem de Hilary Burke)

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