Banqueiro foragido faz denúncia contra a Venezuela na CIDH

Segundo acionista minoritário da Globovisión, perseguição do governo tem motivos políticos

AP,

19 de agosto de 2010 | 20h01

WASHINGTON- O banqueiro Nelson Mezerhane, foragido da Justiça da Venezuela, acusou nesta quinta-feira, 19, o país de persegui-lo por motivos políticos em uma denúncia na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

 

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"O motivo político das perseguições de Estado das quais Mezerhane é objeto cresce a cada dia, com o único propósito de silenciar a Globovisión", afirma a denúncia de 10 páginas com data de ontem e publicada na quinta pelo site do canal venezuelano, o último crítico ao governo do presidente Hugo Chávez.

 

A Procuradoria Geral pediu nesta semana a um tribunal a extradição de Mezerhane dos Estados Unidos. O empresário é presidente do Banco Federal, no qual o governo interveio por problemas de liquidez, e acionista minoritário da Globovisión. Ele já afirmou que não se apresentará à Justiça venezuelana porque tem um julgamento injusto.

 

"É dentro do descrito quadro de perturbação institucional judicial que a Venezuela vive que o presidente pede a extradição ao Ministério Público", acrescenta o documento elaborado pelo advogado de Mezerhane.

 

O empresário foi processado no fim de junho, após autoridades financeiras detectarem supostas irregularidades no Banco Federal e terem intervindo na instituição, fechada neste mês.

 

A intervenção no banco ocorreu três dias depois que outro tribunal ordenou a prisão do presidente da Globovisión, Guillermo Zuloaga, e de seu filho, de mesmo nome, processados por causa de 24 veículos encontrados em uma das propriedades do empresário.

 

Segundo autoridades, Zuloaga praticou o crime de associação criminosa e "usura genérica" porque pretendia revender os carros a um alto preço.

 

Mezerhane nega a suposta crise patrimonial do Banco Federal e garante que, durante o primeiro trimestre de 2010, a avaliação do governo à entidade financeira mostrou estabilidade e liquidez.

 

O banqueiro também se queixou que são tirados "selvagemente" de sua residência "bens pessoais e íntimos, sem inventário nem controle judicial algum".

 

A Procuradoria acusou Mezerhane dos crimes de "associação criminosa, aproveitamento fraudulento de fundos públicos, aprovação indevida de créditos, apropriação e distração de recursos financeiros, difusão de informação financeira falsa e ocultação de informação na declaração constitucional".

 

Após a intervenção em sua instituição financeira, o governo também confiscou bens de Mezerhane para ressarcir clientes do banco que ficaram sem seus depósitos.

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