Bebês desaparecidos na ditadura argentina recuperam identidade

Dois jovens que foram sequestradosquando crianças durante a ditadura militar na Argentina(1976-1983) recuperaram suas verdadeiras identidades na semanapassada, chegando a 92 os casos defendidos pela organização dasAvós da Praça de Maio. O grupo de direitos humanos anunciou na quarta-feira arestituição da identidade dos hoje jovens e que descobriram seuparentesco com pais desaparecidos ou sequestrados depois deexames de DNA. O governo militar, durante o qual foram sequestradas,torturadas ou assassinadas 30 mil pessoas, implementou um planosistemático de roubo de bebês de presos políticos, segundodenúncias de grupos de defesa dos direitos humanos. "Graças à luta durante mais de 30 anos, outros dois filhosde desaparecidos recuperaram suas identidades", disse Estela deCarlotto, presidente da organização. Recuperaram suas identidades a filha de Maria Teresa Trottae Roberto Castelli, militante da organização montoneros quedesapareceram em fevereiro de 1977, e o filho de Maria deLourdes Martinez Aranda e Francisco Goya, sequestrados entreabril e julho de 1980. A filha de Trotta e Castelli, que nasceu enquanto a mãeestava sequestrada, recuperou sua identidade na sexta-feirapassada, depois do resultado dos exames de DNA. A família perdeu o rastro da recém nascida, explicouCarlotto. Outra filha do casal, Veronica, integra a organização Hijos(Filhos), formada por descendentes de vítimas da ditadura, edepois do resultado afirmou: "Pela primeira vez na minha vidame sinto plena, dediquei minha vida a isto, é o que mais queriano mundo, estou muito feliz, não saberia como demonstrar". O bebê de Goya e Martinez desapareceu junto de seus pais esoube que era filho de desaparecidos na terça-feira passada,também ao conhecer o resultado de exames de DNA. As Avós da Praça de Maio buscam a restituição da identidadelegítima daqueles que foram roubados durante a ditadura, quandogrupos sequestravam pessoas e roubavam seus filhos paraentregar-lhes a terceiros, em sua maioria militares, que oscriaram como filhos próprios. (Reportagem de Karina Grazina)

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