Betancourt acusa a Colômbia de não ter impedido seu sequestro

O governo da Colômbia retirou os guarda-costas de Ingrid Betancourt quando ela estava para viajar para uma área de selva onde havia muitos guerrilheiros, disse ela no domingo, ao explicar as razões da ação multimilionária que move contra o Estado.

HUGH BRONSTEIN, REUTERS

12 de julho de 2010 | 15h50

A ex-candidata presidencial da Colômbia, mantida em cativeiro em acampamentos de rebeldes entre o início de 2002 e meados de 2008, quando foi libertada em uma operação militar de resgate, causou indignação entre os colombianos na sexta-feira quando surgiu a informação de que ela está processando o Estado, exigindo 6,8 milhões de dólares por danos.

Ela minimizou o fato em uma entrevista à TV colombiana no domingo, dizendo que o dinheiro era apenas "simbólico". Mas insistiu que o Estado falhou em protegê-la quando era candidata à Presidência do país.

Betancourt foi sequestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) depois de ter sido alertada por autoridades da segurança estatal para que não fosse à cidade sulista de San Vicente del Caguán, onde acabou sendo capturada pelos rebeldes.

Ela diz que o governo, ao ter-lhe retirado os agentes de segurança e não tê-la impedido de realizar a viagem, deixou-a à mercê dos sequestradores.

"Removeram meus guarda-costas e me deixaram seguir pela estrada", afirmou Betancourt, de 48 anos, à TV Caracol. "Eles não cumpriram sua responsabilidade de me proteger como candidata presidencial... Eu não fui irresponsável."

Muitos no país reagiram com indignação ao saber da ação judicial.

O vice-presidente Francisco Santos disse que ganhou "o prêmio mundial da ingratidão" em relação aos soldados que arriscaram sua vida para resgatá-la em julho de 2008.

Severamente criticada pela imprensa desde sexta-feira, Betancourt disse que o motivo real do processo é abrir o diálogo entre o Estado e as vítimas da guerra que já dura décadas na Colômbia. "A dor que sofri me fez refletir muito", declarou ela.

Betancourt e outros 14 reféns foram resgatados dois anos atrás numa operação em que soldados colombianos se fizeram passar por voluntários de uma entidade humanitária. O resgate foi um golpe humilhante para as Farc, grupo colocado na defensiva por uma campanha militar, apoiada pelos EUA, com o objetivo de esmagar o grupo, que obtém recursos do tráfico de cocaína.

Betancourt mora na Europa desde que foi libertada. Com essa ação judicial parece improvável que ela ganhe popularidade na Colômbia.

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