Bill Richardson confia em acordo humanitário na Colômbia

O governador não deu detalhes sobre que tipo de ajuda poderia dar Chávez para reativar os contatos

EFE

27 de abril de 2008 | 01h02

O governador do estado americano do Novo México, Bill Richardson, se declarou "otimista" em relação à possibilidade de reativar as negociações para um acordo humanitário na Colômbia depois de se reunir em Caracas com o presidente venezuelano, Hugo Chávez. Richardson, que manteve uma reunião de mais de hora e meia com o governante venezuelano, qualificou de "produtivo" e "positivo" o encontro, no qual estiveram presentes o embaixador dos Estados Unidos na Venezuela, Patrick Duddy, e o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro. "Simplesmente estou otimista em relação a retomarmos as discussões sobre o acordo humanitário", disse durante sua saída do Palácio presidencial de Miraflores, onde aconteceu a reunião. O governador do Partido Democrata, em breves declarações à imprensa, manifestou que Chávez tinha lhe dito que está "disposto a ajudar" para retomar o caminho do acordo. Além disso, destacou que seu único interesse são os reféns que estão nas mãos da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc): os três americanos, mas também a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e os mais de 400 colombianos. "Todos são reféns e todos merecem estar livres", disse Richardson, que falou em espanhol e em inglês com a imprensa. O governador do Novo México insistiu em que ele não era "um enviado do Governo dos EUA", nem da Organização dos Estados Americanos (OEA), mas "um enviado dos familiares dos seqüestrados", e não só dos seqüestrados americanos. Agradeceu a atenção do Governo venezuelano, especialmente do chanceler Maduro, assim como a do embaixador americano, e afirmou que retorna aos EUA com o propósito de tentar ajudar na via do acordo que permita uma troca humanitária. Richardson disse que se reuniu recentemente com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que, disse, "também está disposto a ajudar", e que falou com as autoridades francesas. "O Governo americano quer movimento em relação à libertação dos reféns", comentou o governador, que se declarou especialmente preocupado pela saúde de Ingrid Betancourt. Richardson indicou que ia falar também com a senadora colombiana Piedad Córdoba, que, da mesma forma que Chávez, foi suspensa no mês de novembro do ano passado por Uribe em seu papel de mediadora para uma troca humanitária entre reféns e guerrilheiros presos. O governador americano não deu detalhes sobre que tipo de ajuda poderia dar Chávez para reativar os contatos. Em declarações horas antes, o presidente venezuelano tinha dito que não sabia se poderia ajudar na tarefa de alcançar os objetivos colocados por Richardson. "Não sei se poderei continuar ajudando neste tema, porque para ajudar é preciso que as partes que estão no problema aceitem a ajuda", disse Chávez em referência ao veto de Bogotá para que desempenhe um papel mediador. Os três americanos cuja liberdade é defendida por Richardson foram capturados pelas Farc quando o avião no qual efetuavam um rastreamento eletrônico nas selvas do sul da Colômbia caiu. Em janeiro e fevereiro, a guerrilha colombiana libertou seis de seus reféns de forma unilateral e os entregou a Chávez em "desagravo" por ter sido afastado da mediação pelo presidente colombiano. As já deterioradas relações entre Bogotá e Caracas sofreram um novo colapso em março, após o ataque militar colombiano contra um acampamento das Farc em território do Equador, no qual morreram 26 pessoas, entre elas o porta-voz da guerrilha "Raúl Reyes", um equatoriano e quatro universitários mexicanos. A crise começou a ser solucionada após a cúpula do Grupo do Rio no mês passado em Santo Domingo, capital da República Dominicana, mas as Farc advertiram que não farão mais libertações unilaterais. Além disso, reiteraram sua exigência a Uribe, que a rejeita, que desmilitarize os municípios de Pradera e Florida para negociar uma troca humanitária de 39 reféns - entre os quais estão os três americanos - por cerca de 500 guerrilheiros presos. A visita a Caracas do governador do Novo México acontece dias antes da já anunciada viagem do ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, à Colômbia, Equador e Venezuela na próxima semana. Kouchner abordará com seus interlocutores a "urgência de uma solução humanitária" que leve à libertação dos reféns das Farc, incluindo Ingrid Betancourt, após o fracasso da missão enviada pela França, Espanha e Suíça à Colômbia para tentar contato com a guerrilha.

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