Bloqueio de estrada inaugura ano de protestos na Bolívia

Transportadores que rejeitam o aumentono seguro obrigatório contra acidentes bloquearam nestaquarta-feira as principais estradas que circundam La Paz,criando o primeiro conflito social de 2008 na Bolívia, segundorelatos da mídia local. O bloqueio começou de madrugada e deixou La Pazincomunicável com todo o país. A ação poderá estender-se aoutros distritos, anunciou o dirigente da Confederação deMotoristas da Bolívia, Franklin Durán. "Isso é o cúmulo. Apenas iniciamos um novo ano e já temosum bloqueio. Parece que continuaremos sendo um país deconflitos", disse à Rádio Erbol uma viajante não identificada,prejudicada pelo protesto, a cerca de 80 quilômetros ao sul deLa Paz. Um dos países mais instáveis do continente, a Bolívia viveuquase um conflito por dia no primeiro semestre de 2007, comdestaque para bloqueios de estradas e passeatas realizadas pordiversos setores da sociedade, segundo um informativo daFundação Unir, entidade independente voltada para estudossociológicos e de comunicação. A situação não foi muito diferente na segunda metade de2007, que terminou em um ambiente de elevada tensão políticamotivada por disputas entre o governo do presidente Evo Moralese vários governadores de oposição por causa de um processo demudanças constitucionais e de exigências de autonomia para asregiões. Segundo a Unir, os conflitos na Bolívia são principalmente"turbulências territorializadas" que "não põem em risco acontinuidade do governo" de Morales. Durán disse a repórteres que os transportadores não aceitamo aumento imposto pelas seguradoras, de até 70 por cento nospreços do seguro contra acidentes. Segundo ele, esse acréscimoafeta especialmente os operadores regionais e ostransportadores que viajam por longas distâncias. O ministro de Obras e Serviços Públicos, José Kinn, disseque o bloqueio não se justifica porque já em dezembro o governoanulou a diferença de preços entre os seguros contra acidentesde trânsito urbanos e rurais, que era criticado pelostransportadores. (Por Carlos Alberto Quiroga)

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