Bocas-de-urna apontam vitória de Cristina Kirchner no 1º turno

Segundo pesquisa do canal de TV, primeira-dama venceria com 46,3% dos votos seguida de Carrió, com 23,7%

Marina Guimarães, da Agência Estado,

28 de outubro de 2007 | 20h22

Os primeiros resultados de boca-de-urna das eleições presidenciais na Argentina indicam a vitória de Cristina Fernández de Kirchner no primeiro turno. Pesquisa realizada pelo canal de notícias TN aponta Cristina com 46,3% dos votos, seguida por Elisa Carrió com 23,7%. Em terceiro lugar, aparece Roberto Lavagna com 13,1%; em quarto, Alberto Rodríguez Saá, com 7,5%, e Ricardo López Murphy fica em quinto, com 2,7% dos.    Veja também:   Especial: as eleições argentinas  Eleição argentina começa com atrasos e 'estresse' Oposição alerta para riscos de fraudes Argentinos votam para consagrar Kirchners Cristina: 'Não sou Hillary nem Evita' Kirchner seduz interior empobrecido Encerramento da votação na Argentina é adiado   Cristina e o marido, o atual presidente Néstor Kirchner, já chegaram ao hotel onde se concentra a campanha da Frente para a Vitória. O clima é de vitória com os primeiros resultados da boca-de-urna. Os assessores da candidata informaram que ela deverá fazer um discurso ainda nesta noite, mas só depois do resultado das primeiras apurações, que deverá sair por volta das 21 horas (22 horas de Brasília).   Segundo a Constituição argentina, o candidato necessita obter mais de 45% dos votos ou 40% com uma diferença de 10% de seu adversário para vencer no primeiro turno. A boca-de-urna também revela vitória do candidato oficial na província de Buenos Aires, Daniel Scioli, atual vice-presidente.   O fim da votação foi adiado por 60 minutos, até as 19 horas locais (20 horas de Brasília), por causa de problemas e atrasos ocorridos durante a eleição. Até as 16 horas (17 horas de Brasília) haviam votado somente entre "35% a 40% dos eleitores" que poderiam votar. Ainda no fim da tarde, as filas em milhares de seções eram enormes e os eleitores estavam irritados com as demoras de mais de uma hora.   A votação começou com atraso porque muitas pessoas que foram convocadas para trabalhar nas mesas eleitorais não compareceram, mesmo sob a ameaça de serem presas, como prevê o código eleitoral. Segundo o diretor do Comitê Nacional Eleitoral, Alejandro Tulio, cerca de 700 voluntários compareceram para ocupar as vagas de mesários e a situação se normalizou cerca de duas horas depois de aberta a votação.   Os resultados da apuração provisória da eleição argentina estarão disponíveis no site www.resultados2007.gov.ar a partir das 21 horas (22 horas de Brasília), segundo informações do Ministério do Interior.   Denúncias formais de cinco dos 14 candidatos à Presidência da Argentina, por falta de cédulas de votação com seus nomes, prometem provocar muitas polêmicas. A organização não-governamental Fundação Poder Ciudadano informou que recebeu "160 ligações telefônicas, em sua grande maioria de eleitores da Província de Buenos Aires, que denunciavam a falta de cédulas".   A segunda colocada nas pesquisas de opinião, Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, reclamou da demora de encontrar a cédula com seu nome na hora de votar. A candidata à deputada federal Patrícia Bullrich, aliada de Carrió, denunciou a falta de cédulas e defendeu uma reforma política no país, com a inclusão do voto eletrônico. Segundo o diretor do Comitê Nacional Eleitoral, a distribuição das cédulas "não é responsabilidade da Justiça Eleitoral, mas sim dos partidos, que devem distribuir essas cédulas".   O sistema argentino é confuso, já que o eleitor, ao entrar na cabine, chamada pelos argentinos de "quarto escuro", se depara com inúmeras cédulas dos vários candidatos de diferentes partidos para votar. No caso da eleição para deputados e senadores, existe o sistema de listas, chamado de "sábana" (lençol, em português), que tem um cabeça de chapa, que acaba puxando votos para os demais candidatos que o seguem.   A desconfiança sobre o sistema eleitoral argentino tem aumentado o debate sobre a implantação do voto eletrônico no país. Também levou três dos principais candidatos à presidência a pedirem que a Argentina implemente o voto eletrônico. "É importante que a Argentina adote o voto eletrônico, como fez o Brasil, o Paraguai e outros países", afirmou Lopez Murphy. Para o candidato Roberto Lavagna, do UNA (Uma Nação Avançada), a Argentina precisa se inspirar no Brasil e adotar o sistema do voto eletrônico.   Ele avalia que o Brasil foi um "modelo de transparência" e de "agilidade" na última eleição, por exemplo, na disputa do segundo turno, no ano passado. Alberto Rodríguez Saá (Frente Justiça, União e Liberdade) também denunciou a falta de cédulas com seu nome e defendeu o voto eletrônico.   (Com AP)   Texto atualizado às 21h12

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