Bolívia aguarda ansiosa os resultados de plebiscito

Os eleitores bolivianos entraram natarde de domingo em uma tensa espera pelos primeiros resultadosextra-oficiais de um plebiscito sobre a continuidade no poderdo presidente esquerdista Evo Morales e de oito dos noveprefeitos regionais. As mesas de votação começaram a encerrar os trabalhos às 16horas, horário local, depois de oito horas de funcionamentotranquilo, informaram as cadeias de rádio, mas a lei proíbe queos meios de comunicação divulguem projeções ou cifrasconsolidadas da votação antes das 18 horas. A missão de observação eleitoral da Organização dos EstadosAmericanos (OEA) disse que não houve irregularidades graves,exceto um incidente em um povoado amazônico onde a votação foidemorada porque foi necessário repor todo o material eleitoralroubado durante a madrugada por desconhecidos. A OEA "valoriza a alta participação cidadã e desejaexpressar o seu reconhecimento e admiração pelo interesse evontade cívica dos bolivianos que comparecem com toda atranquilidade e ânimo para votar", disse a organização em umcomunicado. O presidente Morales disse que sonhava com a unidade e oaprofundamento da democracia na Bolívia, depois de depositarseu voto em uma escola na região central de Chapare, ondenasceu para a vida sindical e política. "Meu desejo, meu sonho é que haja uma grande unidade dopovo boliviano (...), frente a intenções separatistas, saúdoeste povo boliviano que luta por sua igualdade, por suaidentidade e sobretudo pela unidade", disse em alusão amovimentos de autonomias regionais alentados pela oposição dedireita. O mandatário indígena acrescentou que a revoluçãosocialista que pretendia na Bolívia não era um anseio isolado,porque "na América Latina há uma grande rebelião contrapolíticas econômicas que não resolvem os problemas sociais, osproblemas econômicos das grandes maiorias". "Hoje temos a certeza de que as pessoas vão sair paradefender uma forma de vida, para lutar pela liberdade, mas comjustiça", disse no outro extremo o prefeito de oposição deSanta Cruz e líder dos movimentos autonomistas, Rubén Costas,mostrando-se confiante em sua ratificação antes de votar. Costas votou fazendo uma pausa na greve de fome que faz háseis dias, em um dos protestos anti-governamentais que aumentoua tensão política na última semana e colocou em risco oplebiscito. A CNE disse que é preciso mais de 53,7 por cento dos votospara revogar o mandato de Morales, mas apenas de 50 por centomais um para cada um dos prefeitos. DIA CRUCIAL Morales, o governante mais popular do empobrecido paíssul-americano nos últimos vinte e cinco anos, obteria umaratificação cômoda, de acordo com todas as pesquisasdivulgadas. Mas a oposição conservadora anunciou que, depois daconsulta, continuará com a sua campanha para bloquear asreformas indigenistas-socialistas, incluindo uma novaConstituição, com a qual o mandatário pretende "fundarnovamente" o país.

CARLOS ALBERTO QUIROGA, REUTERS

10 de agosto de 2008 | 18h08

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