Bolívia amplia nacionalização da economia

Às vésperas do referendo sobre aautonomia do Departamento de Santa Cruz, o presidente daBolívia, Evo Morales, aprofundou na quinta-feira o processo denacionalização da economia lançado por ele há exatos dois anos. Morales anunciou que o governo assumiu o controle acionárioda italiana Entel, maior empresa de telefonia do país, e dequatro empresas ligadas ao setor de gás e petróleo. Em cenas que lembraram a nacionalização do gás, em 1o. demaio de 2006, policiais ocuparam a sede da Entel em La Paz. "Confirmamos que não há volta em nossas mudanças, e aunidade nacional é mais importante do que qualquer agendaregional ou setorial", disse Morales, muito aplaudido, numcomício de sindicatos. Há mais de um ano o governo tentava assumir o controledessa subsidiária da Telecom Italia . As autoridades acusam aEntel de descumprir o plano de expansão da rede telefônica. Morales também anunciou a compra, por 6,3 milhões dedólares, do controle acionário da Andina, subsidiária daespanhola Repsol, que mesmo assim manterá uma participaçãoacionária e da administração da empresa. Além disso, o governo pagará outros 37 milhões de dólarespelo controle acionário de três empresas do setor energético,estatizadas por decreto, segundo o ministro de Energia. As empresas são: -- Chaco, produtora de gás natural, propriedade dabritânica BP ; -- Transredes, que administra o trecho boliviano dogasoduto Santa Cruz-São Paulo e outros gasodutos domésticos, epertencia à Ashmore Energy International, das ilhas Cayman; -- CLHB (Companhia de Logística dos Hidrocarbonetos daBolívia), uma sociedade entre grupos de Alemanha e Peru. OPOSIÇÃO "Hoje, 1o de maio de 2008, estamos consolidando anacionalização da energia. O Estado boliviano tem 50 por centomais uma ação das companhias capitalistas, ou ditascapitalistas", afirmou Morales. Em 1o. de maio de 2007, Morales anunciou a implementação denovos contratos que transformaram as empresas estrangeiras emprestadoras de serviços para a estatal boliviana de gás epetróleo YPFB. A Bolívia é o país mais pobre da América do Sul, mas tem asegunda maior reserva regional de gás, que exporta para Brasile Argentina. Morales conseguiu convencer a Argentina a pagar mais pelogás boliviano, enquanto o Brasil se mostrou mais duro. APetrobras é o maior investidor nos campos bolivianos de gásnatural. A nacionalização dos recursos energéticos é uma medidaamplamente apoiada pela população boliviana, especialmente noAltiplano, mas as medidas do governo esquerdista de Moralesdesagradam à oposição conservadora de Santa Cruz e de outrasregiões da planície fronteiriça com o Brasil. No domingo, a oposição cruzenha realiza um referendo deautonomia, em protesto contra a preparação de uma novaConstituição, que deve estabelecer uma profunda reformaagrária. O governo e a Justiça consideram o referendo ilegal.

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