Bolívia aprova Constituição e ratifica divisão interna

Evo Morales promete refundação do país; oposição diz que rechaço não pode ser ignorado pelo presidente

Agências internacionais,

26 de janeiro de 2009 | 12h42

Em um processo eleitoral que ratificou a divisão na Bolívia, o país aprovou no domingo, 25, a nova Constituição do país com cerca de 60% dos votos. O projeto impulsionado pelo presidente Evo Morales é considerado fundamental pelo governo para a continuidade de seu projeto político, mas o resultado mostra um país fortemente dividido entre regiões e classes sociais.   Veja também: Entenda os pontos polêmicos da nova Constituição da Bolívia Chávez parabeniza vitória democrática de Evo em referendo 'Limite de terras não afetará brasileiros na Bolívia', diz ministro   Evo proclamou a "refundação" do país após a aprovação. "Aqui começa uma nova Bolívia com igualdade de oportunidades para todos os bolivianos", afirmou Evo à multidão que se concentrou na Praça Murillo, em La Paz, para celebrar a vitória do "Sim" no referendo constitucional.   O presidente disse que com a nova Carta "se acabou o colonialismo interno e externo". Ele pediu aos governadores oposicionistas que trabalhem com o governo para implementar a reforma, tarefa que os analistas consideram complicada. Enquanto isso, os opositores saíram para festejar a derrota da Constituição em seus departamentos e advertiram o governo que se tentar impor a norma haverá resistência. "Ninguém pode negar que temos uma Bolívia com duas visões e precisamos encontrar um pacto de unidade", disse o líder cívico Branko Marinkovic em Santa Cruz, departamento que é o principal reduto oposicionista.   O governador de Santa Cruz, Rubén Costas, defendeu a posição adotada pelo seu departamento. "O 'não' não pode ser negado pela soberba do governo. Nossa resistência será legal e pacífica. Se impõem (a Carta), encontrarão resistência." O governador de Tarija, Mario Cossío, disse que o governo "tem a obrigação de construir acordos com a outra metade do país".   Analistas afirmam que a oposição recuperou terreno, após a derrota em agosto. Com isso há uma situação de equilíbrio para as eleições de dezembro, ainda que os oposicionistas não tenham um líder de projeção nacional. "Ganhou o governo com sua Constituição, mas também ganhou terreno a oposição", disse o analista político Reymi Ferreira.   As contagens rápidas de duas emissoras de televisão afirmaram que o "sim" ganhou em nível nacional, porém perdeu em quatro departamentos (Estados) liderados por governadores autonomistas. A disputa era muito equilibrada entre as duas opções e em outros quatro departamentos o "sim" ganhou com margem folgada. A emissora ATB informou que o "sim" ganhou com 58,7% dos votos e o "não" ficou com 41,3%. A emissora PAT sustentou que a Carta foi aprovada com 61%, e 39% dos eleitores a rechaçaram. A margem de erro da primeira emissora era de 3 pontos e da segunda, de 5 Pontos.   A Corte Nacional Eleitoral anunciou que a contagem oficial estará concluída nos próximos dias. As contagens rápidas são baseadas em resultados das seções eleitorais. Segundo os resultados extraoficiais, o "sim" à nova Constituição venceu em La Paz, Cochabamba, Oruro e Potosí. Já o "não" venceu em Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, governados por opositores e a autonomia tem grande apoio. Em Chuquisaca a disputa era bastante equilibrada. A polarização se mostra também entre o campo e a cidade. Segundo a emissora ATB, o "sim" é apoiado por 52% da população nas zonas urbanas, ante 48% do "não". Já no campo a nova Carta possui 88% de aprovação.

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