Bolívia aprova lei para abandonar convenção antidrogas da ONU

Segundo governo, medida irá mostrar que uso da folha de coca não tem ligação com entorpecentes

REUTERS

29 de junho de 2011 | 10h51

LA PAZ - O Senado boliviano aprovou uma lei que permite ao país abandonar a Convenção da ONU sobre Entorpecentes, assinada em 1961 em Viena, num protesto pela recusa de vários países em descriminalizar o consumo tradicional da folha de coca.

O presidente do Senado, René Martínez, disse que a medida deveria ser sancionada em questão de horas pelo presidente Evo Morales, que fez carreira política como líder dos produtores da coca. A lei deve entrar em vigor antes de 1o de julho, "data limite para a sua representação perante eventos internacionais", segundo o senador.

"O que queremos com isso é dizer ao mundo nossa verdade, que o uso da folha de coca nada tem a ver com os entorpecentes... e hoje amparamos esse uso como patrimônio", disse Martínez a jornalistas após a votação no Congresso, na terça-feira.

Além de ser matéria-prima da cocaína, a folha de coca é usada por indígenas bolivianos para diversos fins tradicionais -- como em chás ou mascada, para combater a fome e os efeitos da altitude.

A retirada da Bolívia da convenção antidrogas da ONU foi repentinamente colocada na pauta do Congresso boliviano por iniciativa do Ministério de Relações Exteriores. A medida já havia sido aprovada na semana passada pela Câmara dos Deputados.

O chanceler David Choquehuanca salientou que "não se trata de nos afastarmos da luta antidrogas, e sim de fazer respeitar nossa cultura." A Bolívia é a terceira maior produtora mundial de coca e cocaína, atrás de Colômbia e Peru.

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