Bolívia aprova nova Constituição em meio a distúrbios

Pelo menos um manifestantemorreu no sábado na cidade boliviana de Sucre, numa série dedistúrbios que lançaram uma sombra sobre a aprovação pormaioria absoluta da nova Constituição boliviana. Os enfrentamentos entre civis e policiais e a votação daAssembléia Constituinte, da qual a maior parte da oposição nãoparticipou, aumentaram a tensão em Sucre, cidade do sul daBolívia que reivindica ser a "capital plena" do país, ou sedede todo o governo nacional. "Todo o texto da Constituição Política do Estado foiaprovado por unanimidade", disse a jornalistas a presidente daAssembléia, Silvia Lazarte. O texto provisório da novaConstituição, compromisso-chave do presidente Evo Morales,agora terá que ser debatido de forma detalhada e ratificadopela maioria da população. O anúncio do resultado da votação noturna, feito apósdeliberações constituintes realizadas no sábado num institutotécnico militar de Sucre, se deu após violentos choques entremanifestantes e policiais que faziam a segurança em torno dorecinto provisório da Assembléia. De acordo com testemunhas, os manifestantes foramreprimidos quando tentaram romper o cerco policial em volta doedifício militar, situado a cerca de cinco quilômetros docentro de Sucre. Uma fonte médica disse que pelo menos ummanifestante morreu de ferimento a bala e que havia mais de cemferidos, tanto civis quanto policiais. "Isto não estava dentro de nossas previsões, tanto queconsiderávamos que a calma, a prudência e a sensatez reinariamem Sucre", disse em La Paz o ministro da Presidência, JuanRamón Quintana. Citando médicos do hospital Santa Bárbara de Sucre, a rádiolocal Erbol informou que um jovem de 29 anos morreu e muitosoutros ficaram feridos nos enfrentamentos. Os protestos aconteceram em meio a uma luta de poder entreEvo Morales e seus rivais conservadores, que querem maisautonomia para as regiões que governam e que também apóiam aproposta de mudança da capital. Sucre é nominalmente a capital da Bolívia, mas abrigaapenas o poder Judiciário, sendo que o Legislativo e oExecutivo têm suas sedes em La Paz. A oposição de direita reiterou no sábado seu chamado à"desobediência civil" nas regiões do leste que governa, onde osentimento contrário ao governo é forte, e prometeu ignorar anova Constituição.

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