Bolívia, Brasil e EUA estabelecem parceria contra drogas

Bolívia e Estados Unidos firmaram nesta sexta-feira seu primeiro acordo de cooperação antidrogas após mais de três anos de distanciamento diplomático, numa iniciativa que também conta com o envolvimento brasileiro.

REUTERS

20 de janeiro de 2012 | 22h13

O acordo, que prevê um novo mecanismo de controle para cultivos ilegais de coca, matéria-prima da cocaína, complementa outro convênio assinado simultaneamente entre a Bolívia e o Brasil, pouco mais de dois meses depois de La Paz e Washington decidirem normalizar suas relações.

Pelo acordo, os EUA fornecerão equipamentos e treinamento para a análise de imagens e de outros dados que serão colhidos pelo Brasil, enquanto a Bolívia contribuirá com o trabalho de campo.

"Esse projeto trilateral tem a prioridade de fortalecer a cooperação internacional na luta contra o narcotráfico, sob o princípio da responsabilidade compartilhada", disse comunicado conjunto divulgado pela Internet após a cerimônia de assinatura realizada a portas fechadas na chancelaria boliviana.

O documento não cita prazos nem custos da parceria, que contará também com colaboração da Organização das Nações Unidas (ONU). Tampouco menciona o uso de aviões não-tripulados para o controle do narcotráfico, algo que era mencionado insistentemente desde que os acordos começaram a ser noticiados, há cerca de seis meses.

No final de 2010, a Bolívia tinha cerca de 30.000 hectares de cultivos de coca. No ano passado, o governo local diz ter eliminado cerca de 10 mil hectares, mas não é possível dizer se houve redução, porque não se sabe quantos novos plantios surgiram.

A Bolívia é apontada como terceira maior produtora mundial de cocaína, atrás de Colômbia e Peru.

A cooperação antidrogas entre Bolívia e EUA foi reduzida a um mínimo desde o segundo semestre de 2008, quando o presidente boliviano, Evo Morales, expulsou o embaixador e agentes antidrogas dos EUA, acusando-os de ingerência política. Washington respondeu, expulsando o embaixador boliviano.

O acordo de normalização diplomática, assinado em novembro, prevê um novo intercâmbio de embaixadores.

(Reportagem de Carlos Quiroga)

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