Bolívia comemora independência entre protestos

Governadora exclui Evo de ato na capital histórica; tensão aumenta a quatro dias do referendo

AP e BBC,

06 de agosto de 2008 | 14h52

A Bolívia celebrou nesta quarta-feira, 6, o aniversário de sua independência entre protestos, desfiles e um ambiente de divisão e tensão a quatro dias do referendo revogatório de mandatos do presidente Evo Morales e de autoridades regionais, grande parte formada por adversários políticos. Veja também:Após protestos, Chávez e Cristina suspendem viagem à BolíviaChoque entre polícia e mineiros deixa dois mortos na Bolívia Evo presidiu as cerimônias de La Paz e não na cidade de Sucre, capital histórica do país, onde a governadora Savina Cuéllar o excluiu da programação, segundo autoridades do governo. Também não foi convocado o Congresso Nacional para uma sessão de honra na cidade, como manda o protocolo.  No Palácio Presidencial na Praça das Armas de La Paz, Evo pediu à oposição que "não se submeta ao império", mas à vontade do povo. "Não prejudiquem o referendo, não atentem contra a democracia", declarou o presidente, segundo a agência France Presse. Na capital boliviana, partidários realizaram manifestações de apoio a Evo, em meio às cerimônias cívicas presididas pelo líder boliviano e o vice-presidente, Álvaro García. Em Sucre, um protesto anti-governo tomou as principais ruas enquanto Cuellar e as autoridades locais participavam de uma cerimônia paralela. O presidente do Senado, Oscar Ortiz, líder da oposição, acompanhou os atos. Em Santa Cruz, bastião da oposição, o governador Rubén Costas disse que estava em greve de fome e juntou-se ao protesto que desde domingo realizava uma centena de seus apoiadores, que reclamam a devolução da renda petrolífera, tomada pelo governo dos orçamentos regionais. Manifestações similares ocorreram em outras regiões, lideradas por opositores. O referendoFoto: APNa prática, o referendo será um plebiscito no qual os eleitores irão decidir se querem ou não a continuidade do presidente e de oito dos nove governadores do país - incluindo cinco da oposição - no poder.  A consulta, inspirada no exemplo do referendo revogatório venezuelano, acontecerá no dia 10. O pleito está sendo visto como uma maneira do presidente boliviano reforçar seu prestígio, após a série de referendos por autonomia realizados nos Departamentos (Estados) da oposição.  O projeto do referendo havia sido enviado ao Congresso pelo próprio Evo, em dezembro do ano passado. Embora os mandatos dos governadores da oposição também estejam em jogo, não há razões para crer que eles não permanecerão em seus cargos.  A situação intensificou a disputa entre governo e oposição, e a tensão social e política parece aumentar à medida em que se aproxima o dia da consulta popular.

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