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Bolívia declara calamidade nacional devido a inundações

O governo da Bolívia decretouna terça-feira estado de calamidade nacional devido àsinundações que afetam principalmente a cidade amazônica deTrinidad, que deve ser totalmente desocupada devido ao risco detransbordamento de um dique. O presidente Evo Morales, que acusa as potências mundiaisde serem responsáveis pelos desarranjos climáticos globais,assinou o decreto de calamidade que era solicitado desde asemana passada pelas autoridades e por dirigentes empresariaisdos Departamentos (Estados) de Beni e Santa Cruz (ambos nafronteira com o Brasil). Junto com Cochabamba (centro), essassão as regiões mais afetadas pelas inundações e pela destruiçãode estradas por causa das chuvas dos últimos três meses,consequência do fenômeno La Niña. As autoridades mobilizaram máquinas pesadas para reforçar odique de Trinidad, sobre o qual há também uma estrada. Mas issopermitiu apenas um breve alívio na entrada da água, que afetaprincipalmente os bairros mais baixos da cidade de 95 milhabitantes, capital do Departamento pecuarista de Beni. Pelo menos 80 mil quilômetros quadrados (pouco mais de umterço do território de Beni) estão embaixo de uma lâmina d'águacom até três metros de profundidade, numa das piores inundaçõesda história boliviana. Já houve pelo menos 51 mortos, e mais de 40 mil famíliasforam afetadas desde que a Bolívia declarou estar sob efeito doLa Niña, em novembro, segundo dados oficiais. O jornalista local Juan Carlos Zambrana disse no meio datarde que a água entra pelo dique de Trinidad "de modo lento,mas impossível de conter". De acordo com ele, funcionários municipais anunciaram aentrada em vigor de um plano para elevar em cerca de 60centímetros metade do dique, que tem quase dez quilômetros deextensão. "Os técnicos dizem que a inundação exterior chegará até 20centímetros acima do nível de dois setores do dique, masesperam que dentro de dois ou três dias se freie a subida daságuas", afirmou Zambrana. "Desde que se construiu o dique, há 25 anos, esta é aprimeira vez que as águas o superam."

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