Bolívia defende prazo aos EUA para fim de embargo a Cuba

Evo sugeriu a retirada de embaixadores latino-americanos dos EUA para pressionar Obamaa levantar bloqueio

REUTERS

17 de dezembro de 2008 | 13h20

O presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs na quarta-feira a seus colegas da América Latina e do Caribe dar um prazo aos Estados Unidos para que suspenda o embargo econômico a Cuba. Falando em uma cúpula regional, Morales também disse que devem ser mudados os modelos econômicos capitalistas e estimulados os movimentos revolucionários. O presidente boliviano lembrou dos aplausos recebidos pelo presidente cubano, Raúl Castro, quando o Grupo do Rio sancionou, na terça-feira, a entrada da ilha ao mecanismo de entendimento político. Morales atacou o embargo econômico vigente há quase cinco décadas e disse que a solidariedade da América Latina com Havana, a fim de suspendê-lo, deve se concretizar. "Somente três países da ONU, (incluindo) os Estados Unidos e uma ilha, não se somaram à decisão dos governos do mundo de suspender o bloqueio", acrescentou, referindo-se a resoluções sucessivas da Organização das Nações Unidas contra o embargo. Protesto diplomáticoMorales afirmou que os países da região devem adotar ações para a tomada de uma resolução sobre o caso, a ser apresentada ao presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que toma posse no dia 20 de janeiro. "Seria importante que os presidentes -- e sei que muitos não vão gostar -- dessem um prazo ao novo governo dos Estados Unidos para que suspenda o bloqueio econômico". Em caso contrário, acrescentou, "nós retiraremos nossos embaixadores (de Washington). Uma medida radical para que essa solidariedade (com Cuba) se expresse de verdade". Morales também defendeu a necessidade de mudar os sistemas econômicos e financeiros internacionais e condenou o acúmulo de riquezas em poucas mãos no sistema capitalista. Ele afirmou que a propriedade privada, que muitos o acusam de ameaçar em seu país, se respeita, mas alguns empresários só pensam "no dinheiro e não na nação" ou no ser humano. "Só temos dois caminhos. Estes modelos econômicos devem mudar ou devem ser estimulados movimentos revolucionários em nosso países, nos quais se pense na igualdade, na solidariedade, na vida de cada ser humano", acrescentou. (Reportagem de Julio Villaverde)

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