Bolívia denuncia tentativa de assassinato de Evo Morales

Polícia boliviana prende dois homens em aeroporto sob suspeita de complô para o presidente durante visita

Associated Press e Reuters,

20 de junho de 2008 | 12h58

A polícia boliviana deteve dois homens, um deles armado com um fuzil com mira telescópica, que estavam em um aeroporto de Santa Cruz de la Sierra na tarde de quinta-feira, pouco antes da chegada do presidente da Bolívia, Evo Morales. Segundo um alto funcionário do governo disse nesta sexta-feira, 20, o incidente foi uma "tentativa de magnicídio".   O vice-ministro de coordenação com os movimentos sociais, Sacha Llorenti, declarou em entrevista coletiva concedida em La Paz que "o governo possui razões fundamentadas para acreditar que se tratava de uma tentativa de magnicídio (assassinato de pessoa importante)". Os suspeitos foram detidos no aeroporto de El Trompillo, em Santa Cruz, "minutos antes da chegada do presidente Morales" à cidade, afirmou Llorenti. Poucas horas depois, eles foram postos em liberdade pela Justiça de Santa Cruz.   Os dois suspeitos militam na União da Juventude Cruceñista (UJC), um grupo de direita ligado a opositores que habitualmente promovem distúrbios contra o atual governo de esquerda, informou o Ministério de Interior da Bolívia.   "Denunciamos ao país e ao mundo que por trás dessas ações de tentativa de magnicídio há uma trama, um plano sinistro cujo verdadeiro alcance ainda desconhecemos, embora conheçamos as motivações. Mas esse quebra-cabeças da conspiração já está começando a ser montado", acrescentou. "Estão indo longe, longe demais aqueles que deveriam responder a este projeto político (do governo) no cenário do debate político e não no campo da ilegalidade, da criminalidade", acrescentou o ministro em uma entrevista a uma emissora estatal.   O ministro da Justiça Juan Ramón de la Quintana criticou a libertação dos suspeitos envolvidos no atentado, ordenada pelo promotor William Torres. O ministro qualificou a decisão como montagem de uma estrutura de encobrimento em Santa Cruz, o rico departamento boliviano onde se concentra parte da oposição direitista a Morales, que é de origem indígena.     O Estado boliviano de Santa Cruz, mais rica unidade do país mais pobre da América do Sul, concentra o principal foco de oposição ao primeiro presidente de origem indígena da história da Bolívia. Os líderes regionais estão em busca de mais autonomia do governo central. A visita de Evo transcorreu conforme o previsto, mas em meio a rigoroso esquema de segurança.   Matéria atualizada às 13h40.

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