Bolívia diz que pedirá ajuda russa para combate ao narcotráfico

Vice-ministro afirma que Moscou está disposta a auxiliar governo boliviano se EUA suspenderem assistência

AP e Reuters,

15 de setembro de 2008 | 16h50

O governo boliviano financiará com US$ 16 milhões e pedirá ajuda de helicópteros da Rússia para a luta contra o narcotráfico se os Estados Unidos suspenderem a assistência que fornecem ao país, anunciou nesta segunda-feira, 15, o vice-ministro da Defesa Social, Felipe Cáceres, que revelou que a embaixada de Moscou em La Paz já manifestou seu desejo em cooperar. "Está prevista uma visita ao governo russo, mas ainda não está confirmado", adiantou. Veja também:Cúpula para Bolívia não será palco de radicalismos, diz ChileLula pretende convencer Evo a aceitar ajuda Entenda os protestos da oposição na BolíviaEntenda o que é a UnasulEnviada do 'Estado' mostra o fim dos bloqueios Imagens das manifestações  Chávez aproveita deterioração diplomática dos EUA  O embaixador americano na Bolívia, Philip Goldberg, expulso na semana passada, declarou ao deixar o país no domingo que a medida do presidente Evo Morales "terá efeitos sérios de muitas formas, que ao que parece ainda não foram avaliados adequadamente". Autoridades de Washington qualificaram como um "erro grave" a decisão de La Paz, que foi apoiada pelo governo da Venezuela. Evo acusou Goldberg de apoiar os violentos grupos oposicionistas que na semana passada tomaram escritórios públicos em quatro regiões rebeldes do país, que tentam impulsionar um processo de autonomia, num claro desafio à autoridade do líder boliviano. Ainda assim, Cáceres ressaltou que o governo boliviano buscará uma renegociação do programa anti drogas financiado pelos EUA. "Temos vontade de fazer uma renegociação sob novos parâmetros", continuou.  A ajuda americana para o combate ao narcotráfico na Bolívia diminuiu nos últimos anos, e atualmente alcança US$ 26 milhões, de acordo com o vice-ministro. Retirada americana Ainda nesta segunda-feira, os EUA autorizaram a evacuação parcial de sua embaixada na Bolívia e recomendou aos cidadãos americanos que evitem viajar ao país sul-americano, relevaram boletins publicanos no site da representação diplomática. As decisões são conseqüência da violenta crise política que atinge a Bolívia, que levou ao impasse diplomático e à expulsão mútua de embaixadores de ambos países. O comunicado do chefe de segurança da embaixada dos EUA diz que o "Departamento de Estado autorizou a partida de pessoal que não é de emergência e de todos os familiares dos funcionários da embaixada boliviana." A representação diplomática americana não atendeu o público nesta segunda e provavelmente não reabrirá na terça, declararam fontes da embaixada.

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