Bolívia enfrenta protestos por alta de combustíveis

Os estabelecimentos comerciais da Bolívia subiam os preços na quarta-feira e sindicatos e organizações sociais preparavam protestos contra um forte aumento nos combustíveis decretado pelo presidente Evo Morales, que anunciará um aumento nos salários para tentar acalmar os ânimos.

REUTERS

29 de dezembro de 2010 | 16h02

O aumento-supresa de até 83 por cento no preço dos combustíveis busca eliminar subsídios de 380 milhões de dólares anuais --dois por cento do Produto Interno Bruto (PIB)-- o que desencadeou no fim de semana do Natal uma greve no setor de transportes e mal-estar entre os aliados do governo.

As poderosas organizações de bairro próximas ao líder de esquerda rejeitaram a medida, que fez disparar as tarifas do transporte em até 150 por cento e provocou aumentos nos alimentos, cuja escassez começava a ficar evidente, ao mesmo tempo em que os comerciantes retiravam os produtos das prateleiras.

O governo calculou que o impacto generalizado nos preços pela alta dos combustíveis ficará ao redor de 20 por cento na Bolívia, um dos países mais pobres da América Latina.

Morales anunciará uma melhora "significativa" nos salários em sua mensagem, segundo uma fonte de alto escalão do governo, junto a medidas colaterais de compensação para o setor público, que serviriam como referência para negociações entre operários e patrões no setor privado.

"Nenhum paliativo será suficiente, o que o governo deve fazer é derrubar o 'gasolinaço' e se manter junto ao povo que o apoiou", disse a repórteres Fanny Nina, presidente da Federação das Juntas Vicinais (Fejuve) da região de El Alto, que circunda La Paz.

A Fejuve de La Paz convocou uma passeata para a quinta-feira, em coordenação com o governo municipal, de oposição, e os proprietários do transporte urbano e de longa distância.

Decisões semelhantes foram anunciadas na maioria das cidades, informaram cadeias de rádio, e a Central Operária Boliviana (COB), que agrupa os sindicatos, convocou uma "jornada nacional contra o 'gasolinaço'" para 3 de janeiro.

Apesar disso, os serviços de transporte e de longa distância operavam em meio a um caos de tarifas.

As negociações entre o governo e os setores de transportes foram paralisadas na noite de terça-feira, pois as partes não encontrarem uma aproximação entre o reajuste de 100 por cento exigido pelos motoristas e os 30 por cento estabelecidos pela Autoridade de Fiscalização de Transportes.

(Reportagem de Carlos A. Quiroga)

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