Bolívia está disposta a não aceitar mais ajuda dos EUA

Washington insiste em dar orientações anti-democráticas e desestabilziadoras, afirmam bolivianos

REUTERS

29 de agosto de 2007 | 16h51

O governo da Bolívia abriu nesta quarta-feira, 29, uma nova frente na disputa com os Estados Unidos, ao advertir que não aceitará mais ajuda se Washington insistir em dar orientações que classificou de anti-democráticas e desestabilizadoras.A advertência foi feita pelo ministro boliviano da Presidência (Casa Civil), Juan Ramón Quintana, apenas dois dias depois de o presidente Evo Morales ameaçar com "ações radicais" contra diplomatas estrangeiros que acusou de envolvimento numa conspiração política do setores de direita."Se a cooperação dos Estados Unidos não se ajusta à política do Estado boliviano, terá as portas abertas (para sair)", disse Quintana em entrevista coletiva na qual declarou que 70% da ajuda econômica norte-americana se destina a projetos que governo de La Paz não controla."Não vamos permitir um dia mais em que esta forma de cooperação manche a nossa democracia, conspire contra o direito à liberdade do nosso povo e além disso ofenda a dignidade nacional. Não estamos dispostos a ser quintal de nenhuma potência estrangeira", afirmou.A embaixada norte-americana não se manifestou.Na semana passada, Evo qualificou como "pouco amistosa" uma declaração do embaixador dos EUA no país, Philip Goldberg, que criticou um suposto aumento do narcotráfico na Bolívia.A ajuda norte-americana ao país, canalizada principalmente por meio da agência governamental USAid, atingirá neste ano cerca de US$ 121 milhões, dos quais, segundo Quintana, US$ 81 milhões chegam na por meio de "cooperação unilateral", que não é submetida à fiscalização do governo local.

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