Bolívia expulsa embaixador dos EUA; protestos crescem

O presidente da Bolívia, Evo Morales,ordenou na quarta-feira que o embaixador dos EUA deixe o país,acusando-o de estimular os protestos que afetaram o gasodutoque abastece o Brasil. "O embaixador dos Estados Unidos está conspirando contra ademocracia e quer que a Bolívia se desintegre", disse Moralesem discurso no palácio presidencial em La Paz. Morales disse que a chancelaria enviará uma carta àembaixada dos EUA pedindo que Philip Goldberg "retorneurgentemente ao seu país". As acusações de Morales contra o embaixadornorte-americanos são "infundadas", disse Gordon Duguid,porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, acrescentando quea embaixada do país em La Paz não recebeu qualquer pedido dogoverno para que Goldberg deixasse a Bolívia. Os protestos contra Morales continuavam na quarta-feira,com a ocupação de prédios públicos em Santa Cruz pelo segundodia consecutivo. Além disso, houve novos ataques a instalaçõesenergéticas, o que obrigou o governo a reduzir as exportaçõesde gás, maior fonte de divisas do país. A estatal YPFB disse que o fornecimento para o Brasil caiu10 por cento desde os ataques dos manifestantes, qualificadospelo governo como "ato terrorista". "As exportações para o Brasil foram reduzidas em 3 milhõesde metros cúbicos", disse Santos Ramírez, presidente da YPFB, ajornalistas em La Paz. Em Brasília, o Ministério de Minas e Energia disse que oabastecimento de gás boliviano continuava normal, em 31 milhõesde metros cúbicos por dia. Cinco Departamentos bolivianos governados pela oposiçãoexigem mais autonomia e mais participação nos dividendos do gáse petróleo. Os manifestantes também invadiram o campo de extração degás de Vuelta Grande, no Departamento de Chiquisaca, obrigandoa Chaco, subsidiária da YPFB, a suspender a produção na noitede terça-feira. "Cerca de 100 pessoas ocuparam o campo, e tivemos de pararas operações por razões de segurança", disse Juan Callau,diretor de relações institucionais da Chaco, acrescentando quea produção só será retomada após a desocupação. Vuela Grande produz cerca de 2,5 milhões de metros cúbicosde gás natural por dia, para os mercados doméstico e externo. Aempresa não sabe avaliar se as exportações serão afetadas porcausa da ocupação. Morales, que há dois anos nacionalizou o setor energético,havia enviado tropas para proteger as instalações energéticasdepois que os manifestantes ameaçaram atacar campos de extraçãode gás e gasodutos. (Reportagem de Eduardo Garcia e Carlos Quiroga, em La Paz,e Denise Luna, no Rio de Janeiro)

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