Bolívia ironiza alerta dos EUA à América Latina sobre o Irã

Chanceler de Evo afirmou que se os 'têm uma indigestão com o Irã' outros países não têm que 'ir ao médico'

Efe,

11 de dezembro de 2009 | 21h29

O governo de Evo Morales afirmou nesta sexta-feira, 11, que se os EUA "têm uma indigestão com o Irã" outros países não têm que "ir ao médico", em resposta às declarações da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, sobre a relação entre Bolívia e Teerã.

 

A declaração foi dada pelo vice-chanceler Hugo Fernández, em entrevista coletiva. Ele indicou que a rejeição do Executivo boliviano a qualquer "ingerência" em assuntos internos do país vale não somente para os EUA, mas para "qualquer país" que tente interferir nas políticas nacionais.

 

Fernández respondeu assim a Hillary, que afirmou que seu país está consciente "do interesse do Irã em promover-se em alguns países como Bolívia e Venezuela", o que é "realmente uma má ideia".

 

Fernández apontou que é preciso entender as declarações de Hillary no contexto em que foram feitas. "Ela se expressa de modo diferente no diálogo direto que temos com os EUA.  Provavelmente o público americano quer ouvir esse tipo de expressões e é a eles a que se dirige, por isso eu relativizo muito seu conteúdo", acrescentou.

 

A secretária de Estado dos EUA pediu aos países que se aproximaram ao Irã que reconheçam que esse país é, de acordo com Washington, um dos maiores promotores e exportadores do terrorismo.

 

O vice-chanceler boliviano disse que isso "não é uma verdade universal", mas o ponto de vista dos EUA é respeitado pela Bolívia, e o Governo Morales considera que "os pontos de vista de outros países devem ser igualmente respeitados".

 

Fernández pediu "paciência" para concretizar o convênio de mútuo respeito negociado pelos Governos dos dois países, pois há pontos que ainda estão sendo revisados, evitando mencionar uma possível data para a assinatura do acordo, apesar de destacar que há "vontade política de ambas as partes".

 

As relações bilaterais entre Bolívia e EUA se deterioraram desde que Evo Morales assumiu a Presidência em 2006, no entanto, Washington e La Paz iniciaram no último mês de maio um diálogo para melhorar a relação bilateral.

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