Bolívia nacionaliza mais quatro empresas de energia

A Bolívia nacionalizou na quinta-feiraquatro empresas energéticas, sendo três por decreto e uma numacordo com a espanhola Repsol. A estatal local YPFB pagou à Repsol 6,3 milhões de dólarespelo controle acionário da Repsol Andina, uma das maioresempresas de energia da Bolívia. O anúncio ocorre exatamente dois anos depois de opresidente esquerdista Evo Morales ter lançado o programa denacionalização do gás e do petróleo. Na quinta-feira, opresidente esquerdista decretou a estatização do controle daChaco (até então pertencente às empresas BP e Pan AmericanEnergy) e da Transredes (que administra gasodutos e pertencia àAshmore Energy). As negociações entre o governo e as empresas não levaram aum acordo, e não está claro ainda quanto o governo vai pagarpor elas. Em um anúncio publicado na imprensa, o governo anuncioutambém ter completado a aquisição da empresa CLHB, dearmazenamento e transporte de combustíveis, que pertencia agrupos da Alemanha e Peru. A Bolívia tem a segunda maior reserva sul-americana de gásnatural, depois da Venezuela, e fornece o produto para Brasil eArgentina. Pelo acordo assinado no Palácio Quemado (sede do governo),a YPFB agora controla 51 por cento da Andina e dividirá aadministração com a Repsol. A Repsol possuía 50,0024 por cento das ações da Andina evendeu 1,08 por cento à Bolívia por 6,3 milhões de dólares. A Andina explora 18 pequenos campos de petróleo e gás, alémde possuir metade de dois grandes campos de gás natural, o SanAntonio e o San Alberto, que são operados pela Petrobras. "Este contrato significa um maior entendimento entre osdois países, Espanha e Bolívia", disse Morales, repetindo maisuma vez que seu país procura parceiros para desenvolver o setorenergético, e não para ser donos dos recursos. A Repsol tem outras empresas energéticas na Bolívia além daAndina. A Chaco, a Transredes e a Andina foram criadas quando aYPFB privatizou a maior parte das suas operações, em 1996. Asempresas estrangeiras assumiram 50 por cento das ações e orespectivo controle administrativo. O resto das ações ficou namão de fundos estatais de pensão, recentemente reincorporadosao patrimônio da YPFB. A Chaco opera 22 campos de petróleo e gás e investe emprojetos destinados a aumentar a exportação de gás para aArgentina. A Transredes controla a parte boliviana do gasoduto SantaCruz-São Paulo, por onde passam diariamente 30 milhões demetros cúbicos de gás distribuídos no Brasil. A empresa tambémopera alguns gasodutos internos. (Reportagem de Carlos Quiroga)

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