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Bolívia pode pedir ajuda internacional para recuperar litoral

País perdeu para o Chile sua saída para o Pacífico no século XIX; Evo diz que jamais abrirá mão da questão

Agências internacionais,

26 de março de 2009 | 16h27

O presidente boliviano, Evo Morales, disse nesta quinta-feira, 26, que pode recorrer à comunidade internacional para que a Bolívia recupere sua saída para o Oceano Pacífico, e assegurou que o país jamais abrirá mão desta demanda. "A Bolívia jamais irá renunciar seu retorno soberano ao mar, mas via diálogo, pacificamente, e se for necessário seria importante a intervenção da comunidade internacional", afirmou o chefe de Estado, durante uma reunião com camponeses na região central da Cochabamba.

 

A Bolívia perdeu seu litoral em uma guerra contra o Chile no século XIX. O governo chileno sustenta, como política central de sua diplomacia com a Bolívia, que a demanda marítima é um assunto bilateral. Evo também criticou o presidente do Peru, Alan García, que disse na quarta que a Bolívia renunciou a ter saída ao mar porque não voltou a colocar o tema com firmeza perante o Chile.

 

"Talvez muita gordura esteja afetando o presidente do Peru, Alan García, e não está bem informado. A Bolívia nunca vai renunciar ao retorno soberano ao mar", enfatizou Evo. A declaração do presidente boliviano surge depois que o chanceler David Choquehuanca dizer que a Bolívia não descarta recorrer ao Tribunal de Haia, como fez o Peru, se o diálogo entre Santiago e La Paz não der bons resultados.

 

A questão marítima voltou a ser discutida depois que Peru acionou Haia para fixar seus limites marítimos com o Chile, embora o governo de Santiago alegue que eles já estão definidos. O Chile acredita não ter questões limítrofes pendentes com o Peru e que a fronteira comum é uma linha paralela sobre as águas do Oceano Pacífico o que, para Santiago, foi ratificado em tratados de 1952 e 1954.

 

No entanto, o Peru afirma que esses acordos foram apenas convênios para definir atividade pesqueira na fronteira e argumenta que a fronteira marítima deveria considerar uma linha equidistante entre ambos os países. Analistas e ex-chanceleres bolivianos advertiram recentemente que se o Peru alcançar o objetivo de ampliar sua soberania marítima deixaria quase nenhum direito sobre o Pacífico o território que eventualmente passaria a ser da Bolívia.

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