Bolívia rechaça acusação de Serra sobre cumplicidade de Evo com tráfico

Segundo o pré-candidato tucano, 90% da cocaína consumida no Brasil vem do país vizinho

Efe,

27 Maio 2010 | 21h13

LA PAZ- O Ministério de Exteriores da Bolívia rejeitou "enfaticamente" nesta quinta-feira, 27, a acusação do pré-candidato tucano a presidência José Serra de que o governo do presidente Evo Morales é "cúmplice" do narcotráfico.

 

Veja também:

linkCríticas podem acentuar queda de Serra, dizem analistas

linkGoverno da Bolívia é 'cúmplice' de traficantes, diz Serra

 

Um comunicado oficial qualifica de "inescrupulosas" as palavras pronunciadas na quarta-feira pelo pré-candidato do PSDB e acrescenta que são "atribuíveis provavelmente a intenções político-eleitorais de absoluta incumbência de sua candidatura".

 

A chancelaria boliviana lembra que os dois países realizam "ações conjuntas na luta contra o flagelo do narcotráfico" e que Morales ratificou seu compromisso contra as drogas.

 

Por sua vez, o chefe da Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico da Polícia da Bolívia (FELCN), coronel Félix Molina, já havia qualificado hoje de "sumamente perigosa" a acusação de Serra."Como diretor da FELCN, considero que é sumamente perigosa", disse Molina à Agência Efe sobre o político brasileiro.

 

Evo ainda não comentou a afirmação. Ele viaja ao Rio de Janeiro nesta noite para participar do 3º Fórum da Aliança de Civilizações.

 

Serra afirmou na quarta que entre 80% e 90% da cocaína que chega ao Brasil procede da Bolívia e que o governo Morales, portanto, tem de ser "cúmplice" ou culpado por omissão desse enorme tráfico.

 

"Nem sequer eu, que estou na luta contra o narcotráfico, me encorajo a tachar a alguém de cúmplice sem ter provas", expressou o policial Molina.

 

O vice-ministro de Defesa Social boliviano, Felipe Cáceres, encarregado da luta contra as drogas, disse à imprensa que a opinião de Serra é "um ponto de vista político" que "não merece nenhuma resposta nem esclarecimento". Segundo ele, "não se deve dar muita importância" ao assunto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.