Bolívia reduz em 10% envio de gás ao Brasil

O governo boliviano informou nestaquarta-feira que reduziu em 10 por cento as exportações de gásnatural para o Brasil devido a um "atentado terrorista" contraum gasoduto atribuído a manifestantes de oposição da regiãosudeste do Chaco. Em Manaus, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão,disse que ainda não tinha condição de avaliar qual seria oimpacto da redução, mas assegurou que o país está preparado. "Já temos plano de contingência e estamos tomandoprovidências para suprir as nossas necessidades", afirmou Lobãoa jornalistas durante a Feira Internacional da Amazônia. A Bolívia informou que manifestantes danificaram umaválvula do gasoduto, que fica a cerca de 50 quilômetros dacidade de Yacuiba, na fronteira com a Argentina. Osparticipantes do protesto estavam tentando fechar o duto. A reparação do problema no equipamento, que movimenta gásde vários campos na região, demorará aproximadamente 20 dias, eo prejuízo total para a Bolívia vai superar 100 milhões dedólares, disse o presidente da petrolífera estatal YPFB, SantosRamírez. "A exportação ao Brasil até este momento tem uma redução demais de 3 milhões de metros cúbicos (em cálculo diário)",declarou Ramírez em entrevista coletiva. Por volta das 20h, a Petrobras informou às suas clientesdistribuidoras de gás que uma das válvulas do gasodutoBolívia-Brasil foi fechada nesta quarta-feira, na parteboliviana do duto, e por esse motivo o fornecimento seriareduzido em 2 milhões de metros cúbicos, informou adistribuidora de gás do Rio de Janeiro, CEG. De acordo com a Petrobras, a Bolívia fornece diariamente31,74 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Procurada pela Reuters, a Petrobras disse que ainda nãohavia informação sobre o assunto. A diretora de gás e energiada Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou em entrevistaesta semana que a Petrobras não poderia abrir mão de nem 1milhão de metros cúbicos de gás boliviano. No Brasil, o Ministério das Minas e Energia informou queaté a tarde desta quarta-feira ainda não havia notado reduçãono fluxo de gás para o país. A Comgás, maior distribuidora de gás natural do Brasil,também informou que o fornecimento da Bolívia está normal até omomento. A empresa, que atua no Estado de São Paulo, recebe cerca de650 mil metros cúbicos diários do combustível da Bolívia. A Bolívia está sofrendo com fortes protestos em sua regiãoleste, controlada pela oposição, que resiste aos planos dogoverno de instaurar uma Constituição socialista. Ramírez não mencionou se as exportações de gás natural paraa Argentina também teriam sido afetadas. Os megacampos que alimentam o gasoduto prejudicado sãooperados por várias petrolíferas internacionais, incluindo aPetrobras e a espanhola Repsol-YPF . (Por Carlos Alberto Quiroga, com reportagem adicional deDenise Luna no Rio de Janeiro e Taís Fuoco em Manaus)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.