Bolívia se aproxima de acordo para crise; Unasul se reúne

Governo e oposição retomam diálogo assim que Evo voltar da cúpula de emergência para discutir o conflito

Agências internacionais,

15 de setembro de 2008 | 07h29

 O governo da Bolívia e a oposição de direita disseram na madrugada desta segunda-feira, 15, que quase chegaram a um acordo para solucionar a crise política, e esperam selar um pacto assim que as negociações forem retomadas. A previsão é de que o presidente Evo Morales volte a conversar com os governadores opositores assim que retornar da cúpula de emergência convocada no Chile para discutir a crise na Bolívia, que acontece nesta segunda.  Veja também:Lula pretende convencer Evo a aceitar ajuda Entenda os protestos da oposição na BolíviaEntenda o que é a UnasulEnviada do 'Estado' mostra o fim dos bloqueios Imagens das manifestações  Chávez aproveita deterioração diplomática dos EUA  A União Sul-americana de Nações (Unasul), que reúne 12 países da América do Sul, testará - pela primeira vez - sua capacidade para resolver conflitos regionais. A estréia da organização em uma questão prática ocorrerá em Santiago do Chile, onde os presidentes sul-americanos realizarão uma reunião de cúpula extraordinária convocada às pressas para tentar encontrar uma saída para a grave crise política e social que afeta a Bolívia, que já deixou quase 30 mortos. A presidente chilena, Michelle Bachellet, que ocupa atualmente a Presidência pro-tempore da Unasul, sustentou que ela e seus colegas da região buscarão medidas para ajudar a resolver a crise da Bolívia. "Não queremos ficar impávidos perante uma situação que nos preocupa".  Evo se reuniu no domingo com Mário Cossio, governador da rica província produtora de gás Tarija, e com representantes de vários governadores direitistas e autonomistas que são contra as reformas socialistas defendidas pelo presidente. Os dois lados da disputa concordaram em retomar as negociações ainda nesta segunda, assim que Evo voltar do Chile. A onda de violência tomou conta de parte do país, que conta com grandes reservas de gás, além do caos com o bloqueio das estradas, provocando desabastecimento em várias cidades, saques a lojas, ataques contra prédios do governo e constantes confrontos entre militantes opositores e pró-governo. O alerta do presidente boliviano de que um golpe contra ele era iminente, e as evocações do movimento que depôs o chileno Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, foram fatores cruciais para que a líder chilena, Michelle Bachelet, decidisse convocar a reunião de emergência da Unasul. Fontes diplomáticas afirmaram ao Estado que, logo após a decisão, teve início um intenso esforço para romper a hesitação do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva - que, inicialmente, havia posto em dúvida a eficácia da reunião para solucionar o impasse político na Bolívia. A avaliação dos promotores da reunião era a de que a ausência do brasileiro esvaziaria definitivamente a cúpula Chávez foi o primeiro a confirmar presença na cúpula, seguido de seu colega equatoriano, Rafael Correa, e da argentina, Cristina Kirchner. Hesitavam Lula - segundo diplomatas, incomodado com a recusa de Evo em aceitar a iniciativa de mediação do Brasil à frente do Grupo de Países Amigos da Bolívia - e o peruano Alan García, irritado com a acusação do presidente boliviano de que "mercenários vindos do Peru" estavam promovendo o "massacre" de camponeses pró-governo no Departamento (Estado) de Pando. García será o único dos 12 presidentes do grupo a enviar um representante para o encontro. "Essa reunião só tem sentido se houver um pedido da Bolívia e uma proposta (para resolver o impasse)", disse Lula no sábado. "É importante deixar claro que não temos o direito de tomar nenhuma decisão sem a concordância do governo e da oposição da Bolívia." A contragosto, no entanto, ele aceitou viajar para Santiago, onde chega nesta tarde, pouco antes do início da reunião, previsto para as 15 horas (16 horas de Brasília). Os presidentes da região, antes de partir para Santiago, declararam seu total respaldo a Evo Morales. O presidente Rafael Correa, do Equador, afirmou que é necessário evitar a "balcanização" da América do Sul, em referência aos movimentos separatistas que com potencial para dividir a Bolívia. Correa, de esquerda, está alinhado com o socialista Evo, bem como com o presidente venezuelano Hugo Chávez. O presidente colombiano Álvaro Uribe, de posições ideológicas antagônicas ao grupo de presidentes de tendências socialistas da região, confirmou sua presença em Santiago do Chile. Segundo ele, na reunião de cúpula sua mensagem será a de "prudência e de apoio à institucionalidade democrática". O novo presidente do Paraguai, Fernando Lugo, afirmou que seu governo é "solidário com todos aqueles que foram eleitos democraticamente. Precisamos conseguir uma solução conciliatória e pacífica para a Bolívia".  A Unasul é composta pelos 12 países da América do Sul: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Suriname e Guiana. Foi criada em 2007, com a intenção de aprofundar a integração econômica e política da região. Sua antecessora foi a Comunidade Sul-Americana de Nações (CSN), fundada originalmente em 2004. O novo bloco teria como objetivo contrabalançar a influência dos EUA sobre a Organização dos Estados Americanos (OEA), que tem sede em Washington e, originalmente, é o fórum destinado a mediar e resolver impasses políticos em todo o Continente Americano.  (Com Tânia Monteiro, Ariel Palacios e Roberto Lameirinhas, de O Estado de S. Paulo)

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