Bolívia tem dia de manifestações pró e contra Morales

Enormes passeatas a favor e contra o governo de Evo Morales paralisaram na quarta-feira várias cidades bolivianas, no primeiro de três dias de protestos convocados pela central sindical nacional para exigir melhores salários e para expressar protesto a uma prolongada greve de médicos.

REUTERS

09 Maio 2012 | 21h07

Além disso, está marcada para sexta-feira uma greve nacional dos transportes contra regulamentos municipais, numa escalada das tensões que parecem indicar um distanciamento entre o presidente indígena e alguns dos movimentos sociais que o ajudaram a chegar ao poder, seis anos atrás.

Em Cochabamba, na região central do país, a principal passeata, a favor de Morales e "em defesa do processo de mudança", foi protagonizada por sindicatos rurais, cocaleiros e funcionários públicos.

Em La Paz, uma passeata oposicionista liderada pela Central Operária Boliviana (COB) terminou com violentos confrontos entre policiais e manifestantes, a maioria universitários, nos arredores do Palácio Quemado, sede da presidência. Pelo menos dez pessoas ficaram feridas, inclusive um comandante policial atingido por uma pequena explosão, segundo o governo.

Juan Carlos Trujillo, dirigente da COB, criticou a "atitude repressiva do governo" e prometeu mais passeatas nos próximos dias, "até culminar com uma greve geral indefinida".

Os estudantes se tornaram a principal força dos protestos sindicais desde que a COB decidiu apoiar os médicos do sistema público de saúde, que entraram em greve há mais de um mês contra um decreto governamental que impõe uma jornada de oito horas diárias de trabalho.

Os médicos, que até então tinham jornada de seis horas diárias, exigem a revogação do decreto, e não sua mera suspensão, anunciada na semana passada por Morales.

Sobre o conflito salarial, Trujillo disse que a COB não retomará o diálogo com o governo "a menos que seja anulado o aumento já decretado e se negocie sobre uma cesta familiar de gastos", que a central calculou em cerca de 1.200 dólares por mês.

O ministro da Economia, Luis Arce, disse na quarta-feira que a exigência sindical "é inflacionária e carece de base científica".

O governo decretou em 1o de maio um aumento de 8 por cento para professores e profissionais da saúde, o que serve de referência para negociações em todos os setores. O salário mínimo teve alta de 23 por cento, chegando ao equivalente a 144 dólares.

(Reportagem de Carlos A. Quiroga)

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