David Mercado/Reuters
David Mercado/Reuters

Bolívia tenta encerrar crise policial, mas surge outro conflito

Marcha da oposição indígena deve ser a nova preocupação do presidente Evo Morales

Reuters, REUTERS

26 de junho de 2012 | 15h26

LA PAZ - O governo da Bolívia se esforçava nesta terça-feira, 26, para resolver um violento motim policial que já dura cinco dias, o segundo conflito social grave no país seguido e que ocorre na véspera da chegada a La Paz de um novo foco de preocupação para o presidente Evo Morales, uma marcha da oposição indígena.

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Apesar de exibir cifras econômicas positivas, Morales, um líder indígena cocalero que denunciou uma conspiração por trás do motim, sofre um dos períodos de maior tensão de seu governo, com uma série de conflitos sociais, enquanto se aproxima de cumprir a metade de seu segundo mandato.

"Avançamos em vários pontos, esperamos que depois de uma reflexão hoje (terça-feira) se resolva este conflito para que a tranquilidade volte", disse o vice-ministro do Interior, Jorge Pérez, ao anunciar, durante a madrugada, uma pausa no diálogo entre o governo e os amotinados.

A negociação das reivindicações salariais e administrativas dos suboficiais e policiais rebeldes foi retomada assim que uma suposta maioria dos rebeldes rejeitou um acordo assinado no domingo e endureceu o protesto.

Enquanto se aguarda a retomada do diálogo a qualquer momento, o motim fez com que os serviços policiais fossem paralisados em quase todo o país, situação que agravou o costumeiro caos no trânsito nas cidades e obrigou os bancos a recorrerem à segurança particular para permanecerem abertos.

A praça Murillo de La Paz, onde ficam os palácios presidencial e legislativo, continuava tomada pelos amotinados, que gritam duros slogans contra Morales enquanto exibiam armas de fogo e armas anti-distúrbios.

"A intransigência de alguns policiais, que recusaram o acordo e usaram violência contra cidadãos, mostra que eles buscam algo além de melhoras salariais, buscam uma desestabilização", disse na terça-feira a ministra das Comunicações, Amanda Dávila.

A acusação do governo, que vem sendo repetida desde domingo, foi negada tanto por líderes do protesto quanto por chefes da oposição. "Não há tais preparativos golpistas, o que temos é uma perigosa paranoia golpista do governo ou ao menos uma densa cortina de fumaça que pretende encobrir o desgaste governamental", disse o ex-prefeito de La Paz, Juan del Granado, ex-aliado de Morales e agora líder da oposição.

O motim acontece logo após o encerramento, na semana passada, de um conflito entre aliados de Morales e o grupo suíço Glencore pelo controle de uma mina de estanho e zinco. O presidente resolveu a disputa nacionalizando a mina.

Tudo isso enquanto outro movimento social, constituído por vários povos indígenas, caminha há dois meses rumo a La Paz, no segundo protesto deste tipo em menos de um ano contra o projeto de uma rodovia que atravessaria o parque nacional Tipnis.

Os indígenas, ainda que visivelmente divididos e em menor número do que no ano passado, chegarão na segunda-feira às portas da capital política boliviana e disseram que entrarão na cidade depois que for concluída a manifestação policial.

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