Bolívia tenta prever consequências da crise financeira no país

Para um país pobre onde a maior parte dos moradores nem mesmo possui conta em banco, a crise financeira parece ser algo remoto na Bolívia, mas a queda no preço dos combustíveis e dos minérios exportados e a diminuição do dinheiro enviado por bolivianos que trabalham no exterior podem atingir a economia boliviana no próximo ano. "Nós sentiremos os efeito no primeiro ou no segundo trimestre do ano que vem" se a crise for grave, disse o ministro boliviano das Finanças, Luis Alberto Arce, em um comunicado. O ministro, porém, afirmou ser cedo demais para prever com que força a Bolívia seria atingida. O governo boliviano, do presidente de esquerda Evo Morales, diz que o volume atual das reservas em moeda estrangeira (um volume recorde) e o isolamento em relação aos mercados de capital, já as empresas da Bolívia e sua dívida pública não são negociadas em mercados abertos, devem proteger o país da crise. As grandes economias da região, o Brasil, o México e a Argentina, viram suas bolsas, seus títulos de dívida e suas moedas despencarem em meio ao terremoto financeiro. Porém, na Bolívia, um país sem acesso ao mar onde 60 por cento da população vive abaixo da linha de pobreza, a maior preocupação continua a ser a inflação -- 14,51 por cento nos últimos 12 meses. "A crise, é por isso que a comida vai ficar mais cara. O que me preocupa é encontrar uma forma de ganhar um pouco mais a fim de alimentar meu filho", disse Sandy Ticona, uma cozinheira de 35 anos de idade. O governo também está de olho no dinheiro enviado pelos bolivianos que trabalham em outros países, um montante que chegou a 800 milhões de dólares no ano passado. "O envio de dinheiro não aumentará mais tão rapidamente. Mas isso vai depender da dimensão da crise", afirmou Arce. A queda nos preços do estanho, da prata e do zinco, metais exportados pela Bolívia, também deve obrigar o governo a adotar algumas medidas. "O setor de mineração avalia a possibilidade de termos, em um dado momento, de adotar medidas para garantir os empregos no setor", afirmou o diretor boliviano da Mineração, Freddy Beltran. Os principais compradores do gás natural da Bolívia, os vizinhos Argentina e Brasil, poderiam demandar menos combustível se seu setor industrial diminuir o ritmo. Isso, no entanto, pode não ter um grande impacto porque a produção boliviana deste ano ficou aquém da demanda. A verba auferida com a venda do combustível pode reduzir-se caso diminuam os preços que o Brasil e a Argentina pagam pelo produto, preços esses ligados ao valor do petróleo nos mercados internacionais. O Produto Interno Bruto (PIB) da Bolívia aumentou 4,56 por cento em 2007 valendo-se dos altos preços dos minérios e do gás natural. E o governo prevê que o crescimento será de 5,75 por cento em 2009.

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