Bolívia vive dia decisivo com referendo em Santa Cruz

Pesquisas indicam que 70% devem votar pela autonomia, em um referendo que pode gerar atos violentos

EFE

04 de maio de 2008 | 14h09

A Bolívia terá neste domingo, 4, um dia decisivo no destino de sua situação política com a realização do referendo na região de Santa Cruz, que lidera um movimento autonomista rejeitado pelo governo de Evo Morales, que o considera ilegal e separatista.   VEJA TAMBÉM:  Tensão aumenta na Bolívia em véspera de referendo  OEA rechaça qualquer tentativa de ruptura territorial na Bolívia Entenda o referendo sobre autonomia   Pesquisas indicam que cerca de 70% dos quase um milhão de habitantes da região devem votar pela autonomia, em um referendo que pode gerar atos violentos.   Em San Julián, município considerado o principal reduto de Morales nesse departamento, os governistas iniciaram neste sábado à noite um bloqueio nas estradas em protesto contra a consulta, além de um enfrentamento envolvendo cerca de 50 pessoas, segundo constatou a Agência Efe.   Na capital da região, Santa Cruz de la Sierra, foram registrados saques em zonas eleitorais e roubos de urnas, em um bairro onde a maioria apóia Morales.   A consulta foi inaugurada hoje pela Corte Eleitoral Departamental, que afirma que manterá as zonas eleitorais em funcionamento, independente dos incidentes.   Em La Paz e em outras capitais departamentais já estão convocadas manifestações contra a consulta em Santa Cruz e em defesa da unidade do país.   A imprensa de Santa Cruz coloca o referendo como um marco. O jornal "El Nuevo Dia" diz que a região "colocará as bases hoje do quarto grande marco da história boliviana, equiparável à Independência em 1825, à revolução social de 1952 e à conquista da democracia de 1982".   O referendo que acontece em Santa Cruz, região mais próspera da Bolívia, deve ser repetir em junho em outras regiões opositoras, como Beni, Pando e Tarija, em um movimento apoiado também por Cochabamba e Chuquisaca.   Estas regiões querem um Estado descentralizado e rejeitam o processo constituinte empreendido por Morales para refundar o país. Em comunicado, o alto comando das Forças Armadas afirmou que alguns dos artigos do Estatuto de Santa Cruz "afetam a segurança e a defesa nacional do Estado", pois legislam sobre assuntos de transporte e ordem pública.   Esta manhã, Evo Morales esteve em La Paz para uma cerimônia oficial, porém não fez comentários sobre o referendo de Santa Cruz.

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