Bolívia vota hoje permanência de Evo Morales no poder

Presidente pediu reconciliação para por fim à crise; oposição criticou acordo com Chávez e Irã

Efe

10 de agosto de 2008 | 01h24

O presidente boliviano, Evo Morales,expressou no sábado, 9, seu desejo de que seu país defina um novo cenário político e chegue à reconciliação com o referendo sobre mandatos que o país realizará na manhã deste domingo, em um clima de incerteza sobre a eficácia da consulta.   Mais de quatro milhões de bolivianos estão convocados a comparecer às urnas para decidir se o presidente Morales, o vice-presidente, Álvaro García Linera, e oito dos nove governadores do país, a maioria opositores, continuam ou não em seus cargos.Morales pediu participação dos bolivianos e afirmou que o voto do povo servirá para fortalecer a democracia e redefinir o novo cenário político do país. Ele também se mostrou seguro de que o voto dos bolivianos obrigará a uma reconciliação.A oposição, por sua vez, partiu para o ataque. O líder da aliança opositora Poder Democrático e Social (Podemos), Jorge Quiroga, disse que votar a favor de Evo significa apoiar o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o regime iraniano de Mahmoud Ahmadinejad. A Bolívia assinou no sábado com estes dois países um acordo de cooperação para incrementar a indústria de cimento."Um governo submetido a Chávez e ao Irã não tem nada de bom a conseguir", disse Quiroga, que pediu a todos os bolivianos para votarem com paz e tranqüilidade. Quiroga ainda qualificou o acordo de erro. "O governo se abraçou outra vez com Chávez e com o Irã, que é um país pária que está com um programa de armamento nuclear, que financia o terrorismo de estado", criticou.O referendoA Bolívia vive com expectativa as horas que antecedem o referendo que avivou a crise política do país, onde o projeto constitucional de Morales enfrenta o plano autonomista de várias regiões controladas por seus opositores.A consulta chega rodeada de incertezas sobre sua validade constitucional e, principalmente, sobre a interpretação de seus resultados e a percentagem de votos necessários para que um governador regional seja revogado.TensãoGovernadores opositores e dirigentes cívicos das regiões de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca, mantêm uma greve de fome para exigir a restituição da renda petrolífera regional que o governo destina agora a uma ajuda para idosos.O confronto entre Morales e seus opositores regionais se intensificou na semana que antecede o referendo, com o aumento de protestos políticos contra o Governo que inclusive impediram a ida do presidente a vários departamentos do país.Nas regiões de Santa Cruz, Beni e Pando, os atos de protesto nos aeroportos de suas capitais fizeram com que Morales desistisse de cumprir vários atos previstos nestes territórios. As ações da oposição levaram o Governo a afirmar que a Bolívia se encontrava no primeiro passo para um golpe de estado que o próprio Executivo rebaixou" posteriormente à categoria de "sabotagem".A estes episódios, uniu-se uma onda de conflitos sociais em vários pontos do país, que chegaram a ser violentos no caso do departamento andino de Oruro, onde dois mineiros morreram e mais de 40 pessoas ficaram feridas em um enfrentamento com a Polícia.Nas horas que antecedem o referendo,os conflitos diminuíram em parte graças ao pré-acordo entre o governo e a Central Operária Boliviana (COB) sobre a nova lei de previdência exigida por este sindicato, considerado o mais importante da Bolívia e responsável por promover boa parte dos protestos dos últimos dias.

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