Bolivianos temem maior agitação política com choque de rivais

Os bolivianos estão acostumadosa ver seu país cambalear à beira de crises políticas, mas oatual conflito entre o presidente Evo Morales e seusadversários direitistas fez nascer temores de que a Bolíviamergulhe em um período de profunda instabilidade. As tensões aumentaram em torno da reforma constitucional deMorales, que a oposição rejeitou ao declarar a autonomia dequatro dos Departamentos (Estados) do leste do país. Os doislados defendem a realização de negociações, mas nenhum delesparece disposto a ceder. Apesar de se prever uma pausa no conflito devido ao Natal eao Ano Novo, muitos bolivianos perguntam-se o que os espera noano de 2008, quando uma série de referendos decidirá o destinodas polêmicas Constituição e declarações de autonomia regional. "Estamos em uma confrontação terrível, mas precisamos deuma solução pacífica ou acabaremos mergulhando em uma guerracivil", disse o professor Edgar Mamani, enquanto descansava emum parque da cidade andina de La Paz. Mamani responsabilizou os adversários de Morales peloimpasse, afirmando que a oposição deseja bloquear as medidaselaboradas para diminuir a pobreza no país, o mais pobre daAmérica do Sul. Os esforços de Morales para reformar a Constituição a fimde dar mais poder à maioria de origem indígena da Bolíviaaprofundaram as antigas desavenças entre a parte ocidental,andina, e as planícies do leste --um reduto da oposição comgrandes reservas de gás natural. Segundo os adversários do presidente, a nova Carta Magnarealiza uma tomada ilegal de poder, imposta pelos aliados dopresidente. Reclama-se que as regiões do leste não receberamautonomia suficiente ao passo que foi concedida autonomia acomunidades indígenas. Quatro regiões declararam-se autônomas em comícios de massarealizados no sábado, uma manobra que Morales considerouinconstitucional. "Como resultado de toda essa confusão, a impressão noexterior é de que estamos à beira de uma guerra civil", afirmouHumberto Vacaflor, analista e colunista que mora noDepartamento de Tarija --uma das regiões rebeldes. Morales, descendente de índios aymaras, diz querer odiálogo, mas continua a chamar seus adversários de racistas.Ele afirma que a oposição teme a possibilidade de a novaConstituição colocar fim a 500 anos de domínio da elitebranca.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.