Brasil ajudará na luta contra grupos armados na Bolívia, diz Evo

Lula 'prometeu enviar ministro da Defesa para ação conjunta', diz presidente boliviano; confrontos já mataram 15

Efe,

16 de setembro de 2008 | 19h24

O chefe de Estado da Bolívia, Evo Morales, pediu nesta terça-feira, 16, a seus opositores que "não façam o povo sofrer" e anunciou que acordou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuar em conjunto para desmantelar grupos armados em seu país. Lula "me prometeu enviar seu ministro da Defesa para fazer essa ação conjunta", ressaltou Evo por telefone em uma conversa transmitida em meio a uma coletiva de imprensa do presidente venezuelano, Hugo Chávez.   O presidente boliviano acusou o governador de Pando, Leopoldo Fernández, detido nesta terça, e o ex-presidente da Bolívia Jorge Quiroga, dirigente da aliança opositora Podemos, de "organizar" o grupo paramilitar Forças Expedicionárias. "Estão acostumados a utilizar a violência" e "agora usam narcotraficantes, paramilitares e sicários" que operam na fronteira com o Brasil.   Veja também: Oposição diz que negociação com Evo Morales 'agoniza' Santa Cruz exige libertação do governador de Pando EUA irão começar a retirar cidadãos americanos da Bolívia Opositores acusam Chávez de controlar Evo Bolívia tem histórico de golpes e crises   Entenda os protestos da oposição na Bolívia  Entenda o que é a Unasul Enviada do 'Estado' mostra fim dos bloqueios Imagens das manifestações     Evo também ressaltou que as Forças Armadas de seu país "vão cumprindo com a tarefa encomendada pelo Executivo no marco do estado de sítio para defender a vida em Pando". Segundo ele, graças a isso e às negociações que já geraram "avanços importantes" com o governador regional de Tarija, Mario Cossío - porta-voz dos líderes autonomistas de Santa Cruz, Beni e Chuquisaca -, existe o compromisso de "devolver imediatamente as instalações" do Executivo nessas regiões.   "Que de uma vez devolvam as instalações", continuou Evo. Ele ressaltou ainda que partidários "não de Evo, mas da democracia", efetuam "vigílias simbólicas" nas instalações de gás natural para garantir as exportações a Brasil e Argentina.   "Tenho muita fé na consciência do povo boliviano", acrescentou Evo que voltou a agradecer a ação da União de Nações Sul-americanas (Unasul) em apoio à democracia boliviana, e especialmente à solidariedade de Chávez.   Amorim   Ainda nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que a cúpula da Unasul, realizada no Chile na segunda, é uma prova do firme compromisso regional com a democracia boliviana. "A União de Nações Sul-americanas está ativa e quer apoiar a democracia na Bolívia e também o governo constituído do presidente Evo Morales", declarou Amorim em Brasília.   Segundo o ministro, a mensagem da Unasul foi clara e aponta para "que terminem as ações ilegais de violência e ocupações de edifícios públicos, e se evitem massacres como o de Pando", região do norte da Bolívia onde pelo menos 15 pessoas morreram em choques entre opositores e partidários de Evo.   Amorim reiterou que a posição do Brasil coincide com a expressada por todos os líderes sul-americanos em Santiago do Chile, ao dizer que "é necessário que se reative o diálogo, porque essa é a melhor maneira que existe para que se chegue a um entendimento."   O ministro evitou falar sobre a detenção do governador regional de Pando, o opositor Leopoldo Fernández, apontado pelo governo boliviano como responsável pelo massacre cometido em sua região na semana passada.   "Há uma ordem de prisão e uma acusação muito séria, mas não vou comentar um assunto interno da Bolívia", disse Amorim, que, no entanto, manifestou confiança em que "os trâmites legais e jurídicos serão seguidos corretamente."  

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