Brasil aprova sanções da ONU ao Irã

Resolução não atinge diretamente o País, nem empresas brasileiras que negociam com Teerã

Leonencio Nossa , O ESTADO DE S. PAULO

10 de agosto de 2010 | 15h47

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto que aprova a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que impõe sanções ao Irã, por manter o seu programa nuclear.

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Em entrevista no Centro Cultural Banco do Brasil, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, ressaltou que o governo brasileiro foi contra a resolução da ONU, mas por tradição decidiu apoiá-la. Amorim disse que a resolução não atinge diretamente o País, nem as empresas brasileiras e setores como o agronegócio, que negociam com o Irã.

Segundo ele, as sanções não atingem a área de alimentos e nem empresas como a Petrobrás. Com relação às sanções impostas unilateralmente pelos Estados Unidos e União Europeia, Amorim disse que o governo brasileiro não só se mantém contra, como não apoia e que cabe a cada empresa que mantém negócios com o Irã, decidir se deve seguir ou não essas sanções.

Na entrevista, Amorim voltou a criticar a posição dos Estados Unidos e da União Europeia que derrotaram a proposta brasileira de maior diálogo com o Irã no âmbito das Nações Unidas.

"Não cremos que o isolamento contribua para uma solução. O isolamento só atinge a população pobre. Por isso votamos contra a resolução (EUA e UE)", disse.

 

O governo iraniano afirma que foi obrigado a enriquecer urânio a 20 por cento após o fracasso de um acordo com as potências ocidentais e a AIEA, pelo qual teria enviado 1.200 quilos do material de baixo enriquecimento para o exterior, recebendo em troca bastões de combustível para seu reator nuclear.

O país tentou recuperar a troca em um acordo fechado com a Turquia e o Brasil, mas isso não bastou para impedir o Conselho de Segurança de lhe impor uma quarta rodada de sanções, em junho.

 

Com Reuters

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