Brasil condena golpe e pede retorno do presidente de Honduras

Itamaraty pede que Manuel Zelaya seja imediata e incondicionalmente reposto em suas funções constitucionais

Denise Chrispim Marin, enviada de O Estado de S. Paulo,

28 de junho de 2009 | 14h20

O governo brasileiro mobilizou-se desde a manhã deste domingo, 28, para se opor ao golpe de Estado em Honduras e, especialmente, para pressionar em favor da recondução de José Manuel Zelaya à Presidência hondurenha.

 

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Além de emitir uma nota de dura condenação ao episódio, o Itamaraty instruiu o embaixador do Brasil na Costa Rica, Tadeu Valadares, a apresentar o apoio brasileiro a Zelaya, assim que desembarcasse em San José. Em Washington, o embaixador do Brasil junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), Ruy Casaes, recebeu ordem de não permitir que o organismo suspenda sua reunião para tratar do tema antes de emitir uma veemente condenação ao golpe.

 

A orquestração partiu do próprio ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que se encastelou no Itamaraty desde que recebeu a notícia de Tegucigalpa. Ao chanceler coube a tarefa de montar um esquema capaz de colocar o Brasil no centro do desmantelamento desse golpe. Amorim determinou ao embaixador Valadares que deixasse clara a Zelaya a decisão do Brasil de exercer toda a pressão necessária para seu retorno a Honduras.

 

Também avisou Casaes que a OEA tem de se manter em reunião permanente, até que haja a recuperação da ordem institucional em Honduras. O embaixador brasileiro em Tegucigalpa, Brian Michael Fraser Neele, que não estava no país até a manhã de ontem, recebeu instruções para retornar imediatamente a Honduras. A crise fora acompanhada pelo encarregado de negócios, ministro Francisco Catunda Resende.

 

Durante a manhã, Amorim conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por meio de nota divulgada pelo Itamaraty, o governo brasileiro evitou as expressões "golpe de Estado", para se referir ao movimento militar que derrubou o presidente de Honduras, e "seqüestro", ao tratar da forma como Zelaya foi arrancado da residência oficial e conduzido arbitrariamente, em helicóptero, para a Costa Rica.

 

O texto condena de "forma veemente" a retirada de Zelaya do Palácio Presidencial e sua "condução para fora do país" e "conclama" pela sua reposição "imediata e condicional" a suas funções. "Ações militares desse tipo configuram atentado à democracia e não condizem com o desenvolvimento político da região", acentua a nota. "Eventuais questões de ordem constitucional devem ser resolvidas de forma pacífica, pelo diálogo e no marco da institucionalidade democrática."

 

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