Brasil deve permanecer no Haiti por no mínimo 5 anos

Lula visitará o país no próximo dia 25 e deverá anunciar plano de ajuda para a reconstrução

Alessandra Corrêa, BBC

12 de fevereiro de 2010 | 08h33

Um mês depois do terremoto que devastou o Haiti e deixou mais de 230 mil mortos, os esforços de ajuda entram em uma segunda fase, e as forças brasileiras se preparam para permanecer um longo período no país.

"Acho que nossa permanência aqui vai se prolongar por, no mínimo, cinco anos", disse  o comandante do Batalhão Brasileiro (Brabatt) no país, Coronel Ajax Porto Pinheiro, respaldando uma previsão já feita anteriormente pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim.

O mandato da Minustah, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, que foi criada em 2004 e é comandada pelo Brasil, é determinado pela ONU e já foi renovado várias vezes.

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No próximo dia 25, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado de ministros e comandantes das Forças Armadas, irá ao Haiti para avaliar a situação no país. Durante a visita, Lula deverá anunciar um pacote de medidas para a reconstrução do Haiti.

Entre as ações previstas no pacote - cujo orçamento ainda não foi divulgado - estão a construção de moradias e escolas e projetos de produção agrícola. "Muita coisa deverá surgir, tanto ações por meio da ONU quanto por parte do governo brasileiro", disse o comandante do Brabatt.

Liderança

O presidente Lula já disse em várias ocasiões que o Brasil quer ter um papel importante no trabalho de reconstrução do Haiti. Muitos analistas afirmam que, com a experiência adquirida nos seis anos de presença no Haiti, o Brasil se credenciaria a um papel de liderança nos esforços de reconstrução.

No final de janeiro, Lula liberou, por meio de medida provisória, R$ 375 milhões para ajuda após o terremoto, incluindo, além de doações, os custos de operações militares, hospitais de campanha, gastos com logística e outras obras.

O contingente brasileiro no Haiti é de 1,3 mil militares (entre eles 250 engenheiros). Até o próximo mês, mais 900 deverão chegar ao país. Desde o terremoto, a Aeronáutica fez voos diários ao país, e os militares brasileiros trabalham na distribuição de alimentos, água e material de saúde.

Recuperação

Segundo o coronel Ajax Pinheiro, logo após o terremoto as tropas brasileiras se concentraram em ações de resgate e ajuda humanitária. Depois de um mês, o foco passa a ser cada vez mais a segurança. "Intensificamos as patrulhas em vários pontos", disse o comandante. "Se não houver segurança, nada mais funciona.

Apesar dos sinais da tragédia ainda permanecerem bem visíveis um mês depois, o comandante brasileiro disse que é possível ver alguns indícios de volta à normalidade nas ruas. O comércio voltou a funcionar, o trânsito voltou a ser como era, caótico, vemos famílias indo aos cultos, bem vestidas, como antes", disse.

Pinheiro, porém, mostrou-se otimista e admirado com a recuperação das vítimas do terremoto."Acho que os haitianos se recuperaram do choque muito mais rápido do que se esperava. Eles têm uma capacidade de recuperação muito grande."

 

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