Brasil diz que não reconhecerá logo a independência do Kosovo

Diplomata afirma que o País não se alinhará com EUA e Europa numa possível separação por oposição russa

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

14 Fevereiro 2008 | 11h13

O Brasil não irá se apressar para reconhecer a independência do Kosovo. O Itamaraty garantiu nesta quinta-feira, 14, que até agora não tomou uma posição sobre eventual declaração de independência. Mas admite que não vai se alinhar automaticamente a um reconhecimento pelos Estados Unidos e Europa em relação â província que hoje faz parte da Sérvia. Nos cálculos brasileiros estão a relações com a Rússia, contrária à independência.   Putin afirma que apoio é 'imoral e ilegal' Entenda o que estará em jogo   Líderes em Pristina afirmam que pretendem anunciar unilateralmente sua independência de Belgrado já no próximo domingo, 17. Muitos países europeus e a Casa Branca já deixaram claro que são favoráveis à independência e vem insistindo para que haja um reconhecimento internacional do Kosovo. O principal obstáculo seria o apoio do Kremlin aos sérvios, tradicionais aliados. "Vamos lutar até o último minuto para evitar que isso ocorra", afirmou nesta semana em Genebra o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.   "Por enquanto, a posição do governo é de reconhecer a integridade do território sérvio", afirmou o embaixador do Brasil em Belgrado, Dante Coelho de Lima. "A mim não chegou qualquer instrução por enquanto", disse o diplomata.   O embaixador brasileiro garante que, pelo menos oficialmente, o governo de Belgrado não fez gestões para pedir que o Brasil não reconheça a eventual independência do Kosovo. Mas admite que existe uma campanha feita pelos sérvios para tentar impedir a separação da província.   Nos cálculos do Itamaraty não está apenas a integridade do território do Kosovo, mas também a relação com países fora do eixo Bruxelas-Washington, como Moscou e países que não vêem a independência de Kosovo com bons olhos. "Essa é parte da política externa do atual governo", confirmou o embaixador brasileiro em Belgrado. Um dos pilares da política externa tem sido a construção de relações sólidas com outros centros de poder fora da Europa e Estados Unidos.

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