Brasil e Colômbia decidem estreitar relações econômicas

Presidentes Luis Inácio Lula da Silva e Álvaro Uribe concordaram em ampliar apoios econômicos

EFE

19 de julho de 2008 | 18h50

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega colombiano, Álvaro Uribe, concordaram hoje em ampliar as relações econômicas entre os dois países, na inauguração de encontro binacional de empresários em Bogotá. O Brasil é o terceiro maior investidor estrangeiro na Colômbia, com US$ 529 milhões aplicados em 2007 (25 vezes mais que em 2006), enquanto o fluxo inverso de capital é notavelmente inferior, de US$ 201 milhões.   Quanto às exportações, as vendas colombianas para o Brasil atingiram US$ 429 milhões no ano passado - mais que o dobro de 2006. Já as empresas brasileiras venderam o equivalente a US$ 2,25 bilhõespara a Colômbia.  Apesar do crescimento sustentado das relações econômicas, Lula e Uribe concluíram que é importante equilibrar o fluxo comercial entre ambos os países.   O presidente colombiano agradeceu seu colega brasileiro pela perseverança de "levar adiante" a União de Nações Sul-americanas (Unasul), projeto que, segundo ele, deve muito à "insistência" do chefe de Estado do Brasil e "à sua visão sobre a importância da comunidade emergente dos países sul-americanos".   No encontro que tiveram, os governantes destacaram que os 1.600 quilômetros da fronteira comum devem servir de estímulo à participação mútua em suas respectivas economias. Para isso, ambos consideraram necessário integrar mais suas infra-estruturas. Além disso, ambos destacaram a participação da estatal colombiana Ecopetrol na prospecção e exploração de petróleo no Brasil, graças a um convite da Petrobras.   Quanto aos biocombustíveis, Uribe reconheceu a ajuda brasileira, enfatizou a necessidade de sua produção ser compatibilizada com a segurança alimentar e a preservação da natureza, e propôs a criação de um documento conjunto sobre boas práticas.   O presidente colombiano também se mostrou disposto a apoiar a liderança do Brasil no desenvolvimento da indústria aérea regional, na implantação da ferrovia do Carare (nordeste) e na construção de usinas hidroelétricas na Colômbia.   Uribe destacou ainda que, antes de negociar um Tratado de Livre-Comércio (TLC) com os Estados Unidos, apostou em um acordo de integração entre a Comunidade Andina de Nações (CAN, da qual aColômbia faz parte) e o Mercosul.   Já Lula deixou claro desde o princípio que "nenhum problem interno de um país impedirá a integração" regional, e comparou a luta da Colômbia contra a degradação e a violência com a que é travada pelas autoridades nas favelas brasileiras.   Em um discurso de cunho mais social, o brasileiro criticou com firmeza a política de imigração da União Européia e os impedimentos impostos à entrada de latino-americanos nos países do bloco.   "Que o tratamento de nossos irmãos seja o mesmo que o dado por nós quando eram pobres", disse Lula, em mensagem ao Parlamento Europeu.   Quanto ao aumento dos preços, disse que, "quando a inflação é mundial, não há uma solução nacional", por isso são requeridas "medidas globais" a serem complementadas por cada país.   Além disso, condenou duramente a especulação financeira de alguns países, que, segundo disse, funcionam como "verdadeiros cassinos", em alusão à crise dos créditos de risco nos EUA.   Após abrir o encontro entre empresários, Lula e Uribe foram para a granja presidencial de Hato Grande, nos arredores de Bogotá, onde devem assinar nove acordos bilaterais sobre defesa, comércio e meio ambiente, entre outros assuntos.   Lula participará amanhã, na cidade amazônica de Leticia, das comemorações pelos 198 anos da Independência da Colômbia.   Além de um desfile militar, Lula, Uribe e Alan García, presidente do Peru, assistirão a um show liderado pela cantora colombiana Shakira. Os atos coincidirão com manifestações no país e no exterior contra a prática do seqüestro na Colômbia.

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